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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Petróleo cai com previsões pessimistas para preço


Os preços do petróleo voltaram a cair nesta terça-feira, 2, depois de terem subido na segunda-feira em um breve movimento de recuperação técnica.
O mercado ignorou a declaração do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Rafael Ramírez, de que a Opep poderá realizar uma reunião extraordinária no primeiro trimestre de 2015.
Na semana passada, em sua reunião anual regular, a Opep decidiu não reduzir sua meta de produção para dar sustentação aos preços.
"A volatilidade, tanto para cima como para baixo, tende a crescer depois de uma queda forte dos preços. Levará algum tempo para que o mercado resolva quais serão os desdobramentos do anúncio da Opep", disse Jim Ritterbusch, da consultoria Ritterbusch & Associates.
O Société Générale rebaixou suas projeções para os preços do petróleo em 20% e agora prevê que o preço médio do Brent deverá ficar em US$ 70 por barril e o West Texas Intermediate (WTI) em US$ 65 por barril em 2015 e 2016.
O Credit Suisse reduziu sua previsão para o preço médio do WTI em 2015 para US$ 62 por barril.
Traders disseram que uma notícia que pode ter contribuído para a baixa dos preços hoje foi o informe de que o governo do Iraque e a liderança da região semiautônoma do Curdistão chegaram a um acordo para a partilha da receita obtida com petróleo exportado; alguns analistas estimam que isso poderá fazer a oferta global crescer em até 250 mil barris por dia.
Amanhã sai o informe do Departamento de Energia (DoE) sobre o nível dos estoques norte-americanos na semana passada; analistas ouvidos pela Dow Jones preveem um crescimento de 600 mil barris nos estoques de petróleo bruto.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para janeiro fecharam a US$ 66,88 por barril, em queda de US$ 2,12 (3,07%).
Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para janeiro fecharam a US$ 70,54 por barril, em queda de US$ 2,00 (2,76%).
Fonte: http://exame.abril.com.br

Petrobras anuncia descoberta de gás no Caribe colombiano


Petrobras informou nesta terça-feira, 2, a descoberta de acumulação de gás natural no poço exploratório Orca-1, no Bloco Tayrona, em águas profundas do Caribe colombiano, a 40 quilômetros da costa de La Guajira.
A Petrobras é operadora e detém 40% de participação, em associação com a Ecopetrol (30%) e Repsol (30%).
Conforme o comunicado, a perfuração do poço foi finalizada em setembro e chegou a uma profundidade de 4.240 metros, e 674 metros de lâmina dágua.
"A acumulação de gás natural foi confirmada a uma profundidade de 3.600 metros e representa a primeira descoberta na história da pesquisa exploratória em águas profundas do Caribe colombiano", diz a estatal.
"A Petrobras dará continuidade às operações previstas, com o objetivo de melhor avaliar a descoberta", acrescenta.
A estatal destaca também que, em conjunto com a Ecopetrol, foi pioneira na atuação no bloco Tayrona, quando em 2004 foi assinado o primeiro contrato concedido pela Agência Nacional de Hidrocarbonetos da Colômbia para exploração em águas profundas do Caribe colombiano.
Fonte: http://exame.abril.com.br

Como age o óleo lubrificante no motor do seu veículo

Parte essencial dos cuidados necessários para estender a vida útil do automóvel é ficar atento ao estado de conservação de seus componentes básicos, procurando, sempre, entender como os produtos certos atuam e asseguram o funcionamento pleno do motor e dos sistemas hidráulicos e elétricos, por exemplo.
Nesse sentido, vale lembrar que a troca de óleo regular é um dos procedimentos mais importantes para garantir o desempenho do veículo, uma vez que a lubrificação adequada atenua o atrito entre as peças dentro do motor.

Seguindo sempre as recomendações do fabricante do veículo na hora da troca, é preciso observar, principalmente, a viscosidade SAE e o desempenho API, ACEA ou ILSAC do produto. De acordo com Marcelo Beltran, Gerente de Produtos da Total Lubrificantes do Brasil, a viscosidade do lubrificante pode ser identificada na embalagem do produto e normalmente é representada da seguinte forma: 0W-20, 5W-30, 10W-40, 20W-50, etc.
Estes números correspondem à viscosidade de produtos automotivos tanto na partida (com o W) quanto na temperatura de regime de trabalho do motor (sem o W), conforme regulamentado pela SAE – Sociedade dos Engenheiros Automotivos.

Pesquisas apontam que 75% do desgaste do motor ocorre no momento da partida, em função dos poucos segundos que o motor trabalha a seco, sendo assim, é essencial que o lubrificante flua o mais rápido possível, para lubrificar o motor. Justamente por isto, é de grande importância utilizar produtos com viscosidade menor no momento da partida. “O óleo tem tendência a perder viscosidade com o calor, o que faz com que seja extremamente importante seguir as orientações recomendadas pela montadora. Quanto maior a numeração, mais viscoso é o óleo, e consequentemente, maior será a resistência à fluidez”, explica.

O motorista também deve considerar as especificações API (USA), ACEA (Europa) ou ILSAC (Ásia) do lubrificante utilizado, uma vez que a escolha de um produto impróprio pode impactar diretamente em seu desempenho junto aos demais aditivos que fazem parte da formulação do produto. “Os aditivos ‘avulsos’, que são comercializados no mercado, não são recomendados pelos fabricantes, pois todos os lubrificantes de boa qualidade são formulados com a quantidade de aditivos necessária para que o produto desempenhe perfeitamente a sua função. O uso de aditivos avulsos pode desbalancear a formulação do óleo, ocasionando fuligem, aumento do consumo de combustível e de contaminação do ar, e em casos extremos, lubrificação ineficiente do motor”, ressalta Beltran.

É importante lembrar que, durante o uso do veículo é normal que o nível do lubrificante diminua com o tempo, pois no momento da lubrificação do pistão, um pequeno volume de óleo é “queimado”, juntamente com o combustível. Além disto, com a alta temperatura, ocorre uma perda por evaporação. O motorista, no entanto, não precisa se preocupar quando o lubrificante fica preto, isso é sinal de que está cumprindo corretamente a sua função, que é a de remover as impurezas do motor e deixá-las “dispersas” no lubrificante até o momento da troca. “De modo geral, podemos dizer que a coloração preta do lubrificante informa que o produto está ‘sujo’. É extremamente importante que a sujeira esteja no óleo ou no filtro e não na parede do carter ou canais do motor, para que não venha a causar problemas de funcionamento. Isto é sinal de que os aditivos detergente e dispersante estão realizando a sua função. O óleo deve reter as impurezas até o momento da troca, onde a sujeira flui com o óleo para fora do motor, deixando-o limpo e trabalhando de modo eficaz”, finaliza.

Diferença entre óleos sintéticos e semissintéticos
Aproximadamente 8% dos lubrificantes automotivos e industriais são 100% sintéticos, ou seja, elaborados com óleos básicos dos Grupos III, IV, V e/ou VI.
O mercado de Lubrificante sintético vem se expandindo a cada dia e continuará crescendo de forma constante, mas lentamente em função do custo. Estima-se algo em torno de 0,3% ao ano no market share global de lubrificantes. Os equipamentos e veículos modernos exigem performance cada vez melhores, que são alcançadas apenas com este tipo de produto.
Já o Lubrificante semissintético nada mais é do que uma mistura de óleos básicos minerais (Grupo I e II) com óleos básicos sintéticos (Grupo III, IV, V e/ou VI).
Obviamente o óleo sintético é mais caro, devido aos custos de produção, mas também de melhor performance em inúmeros aspectos. Por Lei, deve-se incorporar na mistura (blend) pelo menos 10% de óleo sintético, e na prática, a composição normalmente não passa de 30% de óleo sintético.
Portanto, podemos dizer que o óleo semissintético é uma ótima relação custo x benefício, com custo e desempenho intermediário.
É bom lembrar que devemos seguir sempre a recomendação do Manual do Proprietário antes de tomar uma decisão de compra.

Fonte: http://www.tnpetroleo.com.br

Petrobras é uma das doze maiores empresas de petróleo do mundo

A Petrobras é a 12ª empresa de petróleo e gás do mundo, segundo a edição de 2014 do ranking divulgado pela publicação Petroleum Intelligence Weekly (PIW), do grupo Energy Intelligence.
O ranking, divulgado anualmente, lista as 50 maiores companhias do setor com base na comparação de dados como reservas e produção de petróleo e gás e capacidade de refino.
Em relação ao ranking de 2013, a Petrobras subiu uma posição, estando a apenas duas posições das 10 maiores petroleiras do mundo.
Entre as companhias de petróleo da América Latina, a Petrobras é a segunda maior, de acordo com o levantamento.
Nos rankings dos critérios individuais operacionais, que são analisados em conjunto para a elaboração da listagem principal, a Petrobras destaca-se ainda como a oitava empresa do mundo em capacidade de refino e a décima em venda de derivados.
As análises para a elaboração do ranking PIW são baseadas nos resultados operacionais divulgados pelas empresas referentes ao ano de 2013.
O grupo Energy Intelligence é uma entidade independente, com atuação internacional, que há mais de 60 anos compila dados e realiza análises sobre o setor de energia, sobretudo, a área de petróleo e gás.
O ranking da Petroleum Intelligence Weekly (PIW) é publicado anualmente, sendo referência no setor há duas décadas.

Fonte: http://www.tnpetroleo.com.br

Plásticos agora também conduzem calor

Gun-Ho Kim e seus colegas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, criaram um plástico capaz de conduzir calor.
A capacidade de conduzir eletricidade já havia sido suficiente para tornar os plásticos as grandes estrelas da eletrônica orgânica e dos circuitos eletrônicos flexíveis, assim como dos LEDs e células solares.
A capacidade de condução térmica dos plásticos deverá não apenas facilitar a dissipação do calor gerado no interior de computadores e outros equipamentos eletrônicos nos quais o material está sendo usado, como também viabilizar a criação de dissipadores finos e flexíveis para veículos e equipamentos industriais.
Cadeias poliméricas
O plástico condutor de calor é resultado de uma mistura de polímeros, cujas moléculas se juntam de forma a estruturar uma rede interna capaz de conduzir o calor.
"As cadeias poliméricas na maioria dos plásticos parecem-se com espaguete," explica o professor Kevin Pipe. "Elas são longas e não se ligam bem entre si. Quando o calor é aplicado a uma extremidade do material, isto faz com que as moléculas do local vibrem, mas essas vibrações, que transportam o calor, não podem se mover entre as cadeias porque elas são ligadas entre si muito fracamente."
A equipe descobriu então uma forma de ligar fortemente longas cadeias de polímeros de um plástico chamado PAA (ácido poliacrílico) com cadeias curtas de outro plástico chamado PAP (piperidina poliacrílica). A mistura resultou em ligações de hidrogênio que são de 10 a 100 vezes mais fortes do que as forças que mantêm unidas as cadeias em outros plásticos.
"Melhoramos essas conexões de forma que a energia térmica pode encontrar caminhos contínuos através do material," disse Kim. "Ainda há um longo caminho a percorrer, mas este é um passo muito importante que demos para entender como projetar plásticos com essa funcionalidade. Dez vezes melhor ainda é uma condutividade térmica muito mais baixa que a dos metais, mas nós abrimos a porta para continuar melhorando."
Bibliografia:

High thermal conductivity in amorphous polymer blends by engineered interchain interactions
Gun-Ho Kim, Dongwook Lee, Apoorv Shanker, Lei Shao, Min Sang Kwon, David Gidley, Jinsang Kim, Kevin P. Pipe
Nature Materials
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nmat4141


Fonte: http://www.tnpetroleo.com.br

A economia global cada vez mais longe da desmaterialização


A desmaterialização da oferta global de bens e serviços foi a mais importante promessa da Rio+20 e pode ser considerada a quintessência da economia verde. A incorporação anual de 80 milhões de pessoas a novos mercados de consumo representa uma pressão sobre o uso dos recursos, que se exprime, desde o início do milênio, em inédita volatilidade dos preços das matérias-primas minerais e agrícolas, bem como da energia.
O bem vindo aumento deste novo contingente exige que se reduza ao mínimo o uso de materiais, de energia e de recursos bióticos em que se apoia hoje a economia mundial. O avanço das nanotecnologias, da robótica e do poder computacional é o fundamento para que mais utilidades sejam obtidas com o emprego de cada vez menos recursos. Até aqui, entretanto, a ideia de uma sociedade pós-materialista está muito mais nos livros dos especialistas do que na vida real.
O mundo contemporâneo está cada vez mais distante e não mais próximo da desmaterialização de suas bases econômicas. Vaclav Smil, professor emérito da Universidade de Manitoba (Canadá), é autor de mais de trinta livros e 500 artigos sobre temas socioambientais e foi considerado pela Foreign Policy como um dos cinquenta maiores pensadores globais. Seu mais recente livro faz um fascinante apanhado histórico sobre o uso de materiais em sociedades pré-industriais para então mostrar como as transformações no próprio mercado de consumo modificaram totalmente o mundo material e, portanto, o uso social dos recursos.
Foi durante o século XX que estas transformações permitiram ampliar o conforto material dos que tinham acesso a seus produtos e, ao mesmo tempo, passaram a exercer pressão crescente sobre o meio ambiente. Em 1930, um típico domicílio norte-americana possuía entre seis e oito lâmpadas elétricas, um rádio e um aquecedor. Em 1960, menos de 20% dos domicílios norte-americanos possuíam máquina de lavar louça, de secar roupa ou um aparelho de ar condicionado. Não havia fornos de micro ondas, telefones celulares, computadores ou SUVs (sport utilities vehicles). Hoje, o acesso a estes bens de consumo chega a bilhões de pessoas no mundo, mas de forma altamente desigual.
Para Smil, o barateamento destes produtos como resultado do progresso técnico coloca as sociedades contemporâneas diante de um impasse incontornável: é impossível generalizar o padrão de consumo que marca a afluência atual ao conjunto da espécie humana, sem que isso comprometa de irreversivelmente a oferta dos serviços ecossistêmicos de que dependemos todos. O problema não está no progresso técnico cujo ritmo é extraordinário, o que conduz, claro, à redução na quantidade de materiais e de energia para a fabricação de bens. O problema é que globalmente, esta redução é apenas relativa.
A desmaterialização, é verdade, se generalizou. O Boeing 747 lançado em 1969 exigiu 75 mil desenhos, que consumiam papel, tinta lápis, borracha e toda uma estrutura de distribuição destes produtos. Hoje estes projetos contam com design assistido por computadores, com produtividade muito maior. Economia de materiais? Sim, no que se refere a instrumentos de desenho. Mas estes materiais foram substituídos pela infraestrutura do mundo eletrônico, que se apoia em compostos tóxicos e cuja reciclagem é deficiente.
Em 1980, uma lata de alumínio pesava 19 gramas e a produção era de 41,6 bilhões de unidades. Em 2010, o peso cai para 13 gramas. Mas neste ano, foram vendidas 97,3 bilhões de unidades. Mesmo com um progresso técnico desta magnitude, a desmaterialização relativa a cada lata de alumínio se exprime no aumento na quantidade absoluta de consumo deste material. Um telefone celular em 1990, quando onze milhões de unidades foram comercializadas,  pesava 600 gramas. O peso caiu para 118 gramas em 2011, quando seis bilhões de assinantes usavam o aparelho. E é importante salientar que nem sempre a desmaterialização ocorre, sequer em termos relativos: é o caso dos automóveis que, nos EUA, do início de 1990 até a crise de 2008, ficaram cada vez mais pesados. É o caso também do tamanho dos domicílios norte-americanos. Sua área média, que era de 100 metros quadrados em 1950, quando as famílias possuíam 3,7 membros, passa a 220 metros quadrados em 2005, apesar de o tamanho das famílias ter caído para 2,6 membros. A área ocupada per capita triplicou neste período.
O mesmo raciocínio aplica-se às emissões de gases de efeito estufa: cada unidade de produto e cada unidade de valor são oferecidas com uso decrescente de energia e com menos emissões. O que não impediu que as emissões globais derivadas do uso de fósseis aumentassem de 1,6 gigatoneladas (Gt) de carbono em 1950 para 6,8 Gt em 2000. E entre 2000 e 2010, o ritmo do aumento se intensificou: só nesta década, ele foi de 35% e as emissões chegaram a 9,13 Gt.
O último capítulo do livro oferece exemplos inspiradores sobre o poder de novas tecnologias digitais, como a impressora em três dimensões, para reduzir o uso de materiais. Mostra também como o design é fundamental para promover o reaproveitamento do que hoje é simplesmente jogado fora: só nos EUA 80 mil toneladas de plástico vão para aterros a cada dia. Novos materiais também serão decisivos nesta direção.
Mas o que está em questão, mostra Smil na conclusão, é a própria natureza das economias modernas e a ambição que orienta a esmagadora maioria dos economistas e dirigentes políticos: o crescimento econômico. “Buscar o crescimento incessante é obviamente uma estratégia insustentável”. E no entanto, conclui Smil, é altamente improvável que os dirigentes das economias modernas e os especialistas que os assessoram tenham a sensatez de interromper as promessas de que seus habitantes consumirão sempre e cada vez mais. Mesmo que sejam crescentes as evidências de que entre aumento de consumo e ampliação do bem-estar a distância pode ser imensa.

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br

'Capital do petróleo', Macaé (RJ) vive onda de demissões

No cartório da segunda vara da Justiça do Trabalho em Macaé, norte do Estado do Rio, é difícil perceber o tempo passar. A pilha de processos na capital nacional do petróleo cobre o relógio pendurado na parede da repartição.
Macaé vive uma onda de demissões nas empresas que prestam serviços à Petrobras. Ela se reflete no salto do número de ações trabalhistas abertas na cidade, que triplicou neste ano. São cerca de 14 mil novos processos, ante 4.800 em 2013.
Cerca de 63% dos empregos formais em Macaé são ligados à indústria do petróleo. As dispensas decorrentes da crise na estatal atingem de operários a executivos. A política de revisão de contratos da Petrobras, iniciada em 2013 e ampliada em março após a Operação Lava Jato, acentuou o desaquecimento do setor.
A empresa de engenharia Iesa, investigada na operação, fechou e dispensou quase todos os 2.000 funcionários. O mesmo ocorreu com a MPE, empresa de montagem de equipamentos, que demitiu 2.600 empregados.
Um deles foi o montador de andaimes em plataformas Rodrigo Tolentino, 28, demitido em outubro. Natural de Linhares (ES), voltou a morar com a mãe porque a MPE, diz, atrasou pagamento, não depositou fundo de garantia e não deu baixa na carteira de trabalho, o que o impede de receber seguro-desemprego.
Procurada, a MPE confirmou dificuldades financeiras, sem se posicionar sobre as acusações trabalhistas.

Diretor

A Dolphin Drilling do Brasil, do grupo norueguês Fred Olsen Energy, fechará em janeiro seu escritório em Macaé após a Petrobras ter adiado por cinco vezes a assinatura de contrato obtido em licitação de 2013.
A empresa tinha duas sondas de perfuração na bacia de Campos, que, depois de ficarem sem serviço, foram deslocadas para o exterior.
"Eu não podia mais esperar, e a empresa decidiu garantir um negócio fora do país", afirma o diretor-geral da Dolphin no país, Francisco Siestrup, 55, que será dispensado em janeiro.
A empresa, que tinha 300 funcionários, sendo 40 estrangeiros, demitiu quase todos. Quatro pessoas trabalham no encerramento da companhia na cidade.
O vice-presidente de Marketing da IADC (Associação Internacional de Empresas de Perfuração, em inglês), o inglês Barrie Lloyd-Jones, diz que o humor das empresas com o país foi abalado.
"Existe uma sombra muito grande de mensalão', Lava Jato, petrolão'. As empresas estrangeiras estão considerando se este é o melhor momento para investir no setor do país. O mundo não é só Brasil e há outros locais com potencial, como México, Moçambique, Tanzânia", diz.
A cada sonda que deixa o país, afirma Lloyd-Jones, pelo menos 340 empregos são perdidos. Ele conta, por exemplo, que a TransOcean tinha dez sondas de perfuração no país há dois anos e hoje está com cinco. A Brasdrill, que tinha 17, está com nove. A Noble, que chegou a ter nove sondas, opera apenas uma na bacia de Campos.
A redução da atividade da Petrobras se estendeu por toda a cadeia e atinge até gigantes mundiais do setor, como Schlumberger, Baker and Hughes e Halliburton, empresas prestadoras de serviços especializados para plataformas.
Esse setor dispensou cerca de 10 mil pessoas em 12 meses, segundo estimativas do secretário-executivo da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo), Gilson Coelho.
O coordenador da Firjan no Norte Fluminense, Marcelo Reid, diz que, historicamente, entre 60% e 70% dos demitidos se reinserem na indústria. O percentual, afirma, pode ter diminuído nos últimos meses.

Piloto

A reinserção ainda está difícil para o comandante de helicóptero Antônio Azeredo, 62, com 38 anos de experiência na aviação civil. Ele perdeu o emprego quando a Sênior Taxi Aéreo faliu, em 2013, após dez anos de atividade.
Azeredo tenta emprego em outras empresas e vai a cada 15 dias ao aeroporto em busca de novidade.
De acordo com o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas), 46 pessoas foram demitidas de agosto a outubro nas cinco principais empresas de táxi aéreo que atendem a região, transportando equipes para as plataformas.

Sócio

O mau momento atinge não só fornecedoras de serviços e bens de alta complexidade. A Sermap, de equipamentos de proteção individual e ferramentas, viu seu faturamento cair em 70% do biênio 2011-12 para 2013-14.
Dos cerca de 300 empregados, restaram apenas 70. Em vez da Petrobras, a Sermap passou a vender para empresas estrangeiras.
O sócio Carlos Pasturchak, 48, critica o programa de redução de custos na bacia de Campos depois de a Petrobras divulgar a descoberta do pré-sal e prometer um aumento de demanda a fornecedores.
"Não me lembro de nenhuma troca de comando tão catastrófica para o setor. Eles fecharam a torneira depois de termos feito grandes investimentos por causa de toda aquela propaganda sobre o pré-sal", reclama, criticando a presidente da estatal, Maria das Graças Foster.
A Petrobras afirma que os contratos com fornecedores de bens e serviços "estão sujeitos a variações sazonais próprias das atividades em que estão inseridos".
A companhia confirma que foram observados problemas pontuais no segmento de construção e montagem, mas nega que haja redução de demanda pela atividade.

Fonte: http://geofisicabrasil.com