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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Você educa seu filho para o uso consciente da água?

Orientar as crianças a utilizar a água de forma mais consciente é um ensinamento que vale para toda a vida


Crises como a de abastecimento de água representam grandes oportunidades para mudar velhos hábitos e ensinar às crianças, na prática, como viver de maneira mais sustentável. "As medidas de economia e reutilização da água não devem ser encaradas apenas como procedimentos para momentos de crise. São mudanças no estilo de vida que devem permanecer para sempre", diz a pedagoga Mônica Borba, fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos de Educação Para Sustentabilidade. 



Afinal, a escassez de água limpa e tratada é um problema que atinge atualmente centenas de cidades brasileiras. Embora as notícias sobre os efeitos da seca e dos problemas de abastecimento em cidades como São Paulo e Itu estejam sobressaindo, o problema não está restrito a essa região e nem é um fenômeno que começou agora. Segundo o Ministério da Integração Nacional, no ano passado a seca levou mais de 1265 cidades em 13 estados do Nordeste e do Sudeste a decretarem situação de emergência. Ainda hoje, mais de 900 municípios continuam em emergência. 

Para a ambientalista Cláudia Visoni, uma das fundadoras do movimento Cisterna Já, iniciativa de cidadãos que buscam alternativas diante da crise da água, um dos primeiros conceitos que deve ser ensinado é sobre o valor da água para nossas vidas: devemos nos preocupar e preservar esse recurso não apenas quando percebemos que ele está escasso, mas também nos tempos de abundância. É preciso ter sempre em mente que a água limpa e tratada não é um recurso infinito. Em seu blog, Simplesmente, ela orienta a fazer uma reflexão sempre que se abrir uma torneira: "Preciso mesmo de água tratada e potável para o que pretendo fazer? Será que eu consigo atender a essa minha necessidade reutilizando água? A água que acabei de usar precisa mesmo ir para o esgoto? Será que eu consigo armazená-la para um uso futuro?".

Além de mostrar o valor da água e as formas de preservá-la, os pais e os colégios também podem utilizar esse momento de conscientização para desenvolver conceitos de disciplinas escolares como matemática, história, ciências e geografia.

Veja de que maneira e quais outros ensinamentos podem ser transmitidos às crianças no que se refere ao uso adequado desse recurso vital:

1. CALCULE COM SEU FILHO O CONSUMO E A CAPACIDADE DA CAIXA D'ÁGUA
Antes de ensinar as crianças sobre como economizar é interessante mostrar a elas o quanto necessitamos, o quanto gastamos e, muito importante, o quanto é desperdiçado. Comece analisando junto com seu filho a conta de água da família. Ali será possível observar a quantidade consumida em metros cúbicos e o histórico de consumo nos últimos meses. Proponha que vocês voltem a avaliar nos próximos meses se o consumo está caindo depois de adotar algumas medidas de economia. 

Você também pode calcular com seu filho quantas vezes é preciso encher a caixa d’água da residência para dar conta do consumo mensal da família. Basta converter o volume da caixa d´água para metros cúbicos (lembrando que 1 m3 = 1000 litros) e dividir pelo consumo mensal, também em metros cúbicos. Dessa forma dá para perceber quantos dias a casa tem de autonomia hídrica, ou seja, quanto tempo a água dura se o abastecimento for interrompido. 

Com base nisso, a família pode planejar como economizar ou como aumentar sua capacidade de reservar água. Um exemplo simples: se a capacidade é da caixa é de mil litros (1 m3) e o consumo mensal é de 10 m3, deduz-se que a autonomia é para 0,1 mês, ou seja, 3 dias. Se vocês moram em apartamento, procurem conhecer a capacidade do reservatório do prédio e dividir pelo consumo total mensal.

2. ESTABELEÇA LIMITES PARA O USO DA ÁGUA
Crianças de todas as idades, mesmo as pequenas, devem ser orientadas sobre os limites para o uso de água em cada atividade diária. Para ser melhor entendido, esse limite precisa ser visível. Por isso, abuse das canecas, bacias e baldes. Eles ajudam a dar dimensão do quanto gastamos e do quanto desperdiçamos. "Os adultos precisam mostrar qual a quantidade que pode ser usada em cada atividade. Por exemplo: para escovar os dentes, basta utilizar o volume de uma caneca. Quando for tomar banho, coloque uma banheira ou uma bacia debaixo do chuveiro e diga até que limite ela pode ficar cheia. Estamos mal acostumados a deixar a torneira aberta o tempo todo e com isso perdemos a noção de quanta água usamos para cada tarefa do nosso dia a dia", afirma a pedagoga Mônica Borba, fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos de Educação Para Sustentabilidade.

3. ENSINE COMO REUTILIZAR A ÁGUA
Nossa vida depende da água e diversas tarefas do nosso dia a dia não são possíveis sem esse recurso. Mas, será que é necessário usar a água tratada e potável - aquela que sai das torneiras - para todas essas atividades? A ambientalista Claudia Visoni ensina que é possível recolher e reutilizar boa parte da água que consumimos hoje em dia. 

Comece ensinando a seu filho sobre a diferença entre tarefas em que a água potável é indispensável e aquelas em que é possível utilizar outro tipo de água. Por exemplo: para beber, cozinhar, lavar as mãos e tomar banho precisamos de água potável. Já para lavar o chão, lavar o carro, regar as plantas e dar descarga no sanitário não é necessário que a água seja potável. 

"A água recolhida na bacia ou banheira depois do banho pode ser reutilizada para jogar no vaso sanitário, assim como é possível colocar um recipiente também dentro da pia do banheiro para recolher a água da lavagem das mãos e escovação dos dentes para dar a descarga", diz Claudia. Da mesma forma, se a água resultante da lavagem de pratos e da lavagem de roupas for recolhida, poderá ser reutilizada para regar plantas ou lavar o chão. No caso da rega de áreas verdes, uma dica importante é usar produtos de limpeza menos poluentes, como o sabão de coco, para que não prejudique as plantas.

4. ENSINE SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA DA CHUVA
Mostre às crianças que a água da chuva também pode ser recolhida para utilização em atividades domésticas. Porém, é fundamental ensinar que ela precisa ser armazenada corretamente para evitar a proliferação de mosquitos que transmitem doenças como adengue. "Importante ressaltar que a água da chuva não é potável, não pode ser bebida ou usada para cozinhar, mas pode ser usada para limpeza e para regar plantas", diz a ambientalista Claudia Visoni. A água da chuva pode ser coletada diretamente das calhas e armazenada em cisternas que devem ficar bem fechadas e ao abrigo da luz. Quem mora em casa e tem crianças maiores pode até construir sua própria cisterna caseira junto com os filhos. O movimento Cisterna Já* disponibiliza pela internet um manual detalhado de como fazer isso. 

5. ECONOMIZAR ÁGUA TAMBÉM É ECONOMIZAR ELETRICIDADE E REDUZIR CONSUMO
Economizar água não significa apenas controlar o uso do líquido que sai das torneiras de casa. "É importante mostrar também às crianças a relação entre a água e a energia elétrica, já que em nosso país a maior parte da energia vem de hidroelétricas. Ou seja, quando economizamos eletricidade, também estamos economizando água. Portanto é importante ensinar os filhos a só manter luzes acesas quando realmente necessário. E dizer que banhos demorados gastam água duplamente: tanto a água que sai do cano quanto a água usada para produzir a energia e esquentar o chuveiro", explica a pedagoga Mônica Borba, fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos de Educação Para Sustentabilidade. 

Da mesma forma, as crianças podem ser alertadas para reduzir o consumo em outras atividades com o objetivo de diminuir a necessidade de uso de água. Alguns exemplos: mostrar que ela deve refletir antes de mandar roupas para a lavanderia e só colocar no cesto as roupas se estiverem realmente sujas; orientar a não pegar um copo limpo a cada vez que for tomar água, mas utilizar o mesmo copo durante um dia inteiro para diminuir a quantidade de louça a ser lavada. São pequenos detalhes que no final fazem uma grande diferença.

6. MOSTRE DE ONDE A ÁGUA VEM E COMO AVALIAR SUA QUALIDADE
Que tal programar um passeio no fim de semana para mostrar às crianças as diferentes fontes de água espalhadas pela cidade e fazer uma reflexão sobre o seu estado atual? "Os pais podem levar os filhos a uma área onde existam nascentes de água, para mostrar de onde vem aquela água, a relação com a vegetação ao redor", diz a pedagoga Mônica Borba, fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos de Educação Para Sustentabilidade. E não é preciso ir muito longe para encontrar onde estão essas nascentes ou rios. Mesmo dentro de uma grande cidade como São Paulo é possível encontrar com facilidade diversas delas: basta consultar grupos como Existe Água em SP* e Rios e Ruas* para ter preciosas dicas. 

A qualidade das águas também pode ser objeto de estudo das crianças. No colégio Mater Dei, um projeto feito em parceria com a Unesco e o SOS Mata Atlântica levou alunos do 7º ano a visitas ao Córrego do Sapateiro, que fica próximo a escola. "Os alunos visitam o córrego acompanhados de um técnico que recolhe amostra da água e faz a análise de sua qualidade. Em uma próxima etapa desse trabalho, a ser conduzida este ano, os alunos vão estudar quais técnicas de despoluição podem ser utilizadas", explica Sergio Fazzi, coordenador e diretor administrativo do colégio. "Esses alunos depois vão ajudar a replicar esses conhecimementos, contando sua experiência para outros grupos de alunos", acrescenta.

7. ENSINE QUE ÁGUA É UM DIREITO HUMANO
Tão importante quanto ensinar sobre os métodos de economia é educar as crianças para que compreendam que a água e o saneamento básico são direitos humanos, como destaca a Organização das Nações Unidas. De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "a água potável segura e o saneamento adequado são fundamentais para a redução da pobreza, para o desenvolvimento sustentável e para a persecução de todos e cada um dos objetivos de desenvolvimento do Milênio". Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma quantidade mínima de água necessária diariamente a cada ser humano: ela varia entre 50 a 100 litros de água por pessoa, por dia, para assegurar a satisfação das necessidades mais básicas e a minimização dos problemas de saúde

Ainda de acordo com a ONU, "as instalações e serviços de água e saneamento deverão estar disponíveis a preços razoáveis para todos, mesmo os mais pobres. Os custos dos serviços de água e saneamento não deverão ultrapassar 5% do rendimento familiar, ou seja, estes serviços não deverão afetar a capacidade das pessoas adquirirem outros bens e serviços essenciais, incluindo alimentação, habitação, serviços de saúde e educação". 

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br

Petrobras lança programa que reduz custo de poço terrestre

A Petrobras lançou o Programa de Redução de Custos de Poços Terrestres destinado a responder aos desafios econômicos relativos ao desenvolvimento da produção. Composto por 67 iniciativas, o programa tem potencial para gerar uma economia de R$ 290 milhões à companhia.
A redução de custos na construção de poços terrestres terá abrangência na perfuração de aproximadamente 1.600 novos poços, no período de 2015 a 2019, em todas as unidades de exploração e produção da Petrobras com atividades em terra. O programa prevê, ainda, nesse período, a intervenção em 2.800 poços já existentes.
petrobras sonda cross river
Várias iniciativas no programa estão voltadas para o aumento da produtividade, menor custo unitário de perfuração e otimização da logística, diminuição do tempo na construção dos poços, adequação da capacidade das sondas de perfuração por tipo de projeto, utilização de brocas com novas tecnologias, intensificação da realização de algumas operações sem sonda, redução do tempo de desmontagem, transporte e montagem da sonda, otimização do formato do poço, com tamanho reduzido das suas locações. As iniciativas serão implementadas a partir de 2015, com previsão de ganhos no período de 2015 a 2019.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Com petróleo barato petroleiro vira leiteiro na Noruega

Quando Jørgen Langaunet começou como planejador de projetos na empresa de engenharia offshore Aker Solutions ASA em 2012, ele trabalhava muitas horas extras. O setor de petróleo da Noruega, tão rico que gerou o maior fundo de riqueza soberana do mundo, estava em boom.
Jorgen Langaunet
Até que, no ano passado, ele percebeu que passava a maior parte do tempo no refeitório: seus serviços não eram necessários. Em setembro, quando os preços do petróleo bruto estavam prestes a sofrer a maior queda desde 2008, Langaunet perdeu o emprego. Hoje, ele é gerente regional da Tine SA, a maior produtora de laticínios da Noruega.
"Nosso escritório passou por duas séries de demissões, portanto você começa a entender a situação quando as pessoas têm que ir embora e, independentemente, de quantas forem, há cada vez menos trabalho para fazer", disse Langaunet, de 29 anos, em entrevista por telefone de Trondheim, Noruega.
Empresas norueguesas, como a Statoil ASA, e colossos globais com unidades no país, como a ConocoPhillips, estão se preparando para os maiores ajustes de investimentos observados no país nórdico desde 2000.
Até 40.000 empregos podem desaparecer de um total nacional de cerca de 250.000. Os trabalhadores do setor petroleiro ganhavam em média 60 por cento a mais do que outros trabalhadores industriais, e uma pesquisa da empresa de recrutamento Hays Inc. mostrou que os salários do setor figuraram entre os dois mais altos do mundo nos últimos cinco anos.
O desmoronamento de 50 por cento dos preços do petróleo desde junho está ameaçando projetos no mundo inteiro. Os ajustes de gastos chegarão a 20% neste ano e a 10% em 2016, diz o Danske Bank A/S.

'Bastante brutal'

Na Noruega, a maior produtora de petróleo da Europa Ocidental, a Diretoria de Petróleo espera que os investimentos offshore caiam 15% neste ano devido à redução de gastos em manutenção, atualizações e explorações. Trata-se de uma reversão abrupta depois que os preços do petróleo e os investimentos offshore quadruplicaram nos 12 anos finalizados em 2013.
"O efeito sobre o setor de petróleo e gás da Noruega poderia ser bastante brutal", disse Sveinung Fjose, sócio-gerente da Menon Business Economics AS. A consultoria com sede em Oslo prevê a desaparição de até 30 mil vagas no setor petroleiro até o final do ano, além das mais de 10 mil já anunciadas.
Os problemas do setor estão repercutindo na economia do país nórdico, onde o petróleo responde por mais de um quinto do PIB. Em dezembro, o banco central, que vinha mantendo as taxas altas para se proteger de uma bolha imobiliária, relaxou sua referência pela primeira vez em mais de dois anos e disse que havia 50% cento de chances de que outra redução seja feita já em março.
A primeira-ministra Erna Solberg disse no mês passado que agora o governo está "em estado de alerta" para fornecer estímulos caso seja necessário. O fundo de riqueza soberana do país, de US$ 860 bilhões, está disponível para cobrir déficits orçamentários.

Desemprego

O desemprego na Noruega continua abaixo de 4%, mas as demissões estão aumentando. Na região de Rogaland, onde fica a capital do petróleo, Stavanger, o número de desempregados aumentou 29% em janeiro em relação ao ano anterior, porque empresas como a Statoil, a Baker Hughes Inc. e a Transocean Ltd. eliminaram milhares de vagas, segundo a Administração de Trabalho e Previdência Social da Noruega.
Os salários no setor petroleiro da Noruega não vão continuar aumentando como antes, disse Fjose, da Menon. Os salários mensais deram um salto de 62% de 2002 a 2013, em comparação com um aumento de 56% para o total dos trabalhadores noruegueses, segundo cálculos da Bloomberg com base em cifras da Statistics Norway.
Langaunet, que agora dirige uma equipe de 25 pessoas que assessora fazendeiros com a produção de laticínios, disse que ainda se sente otimista em relação ao setor petroleiro.
"Não acho que o mundo já esteja pronto para abrir mão do petróleo", disse ele. "Vamos continuar dependendo do petróleo durante um tempo".
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Núcleo desconhecido da Terra tem cristais de ferro

Uma pesquisa realizada em conjunto pela China e Estados Unidos, publicada na revista Nature Geoscience, sugere que o núcleo central do planeta tem outro núcleo interior, de composição diferente.
A equipe de cientistas acredita que a estrutura de cristais de ferro nesta região mais central é diferente das camadas exteriores do núcleo da Terra. 
A composição do núcleo sempre foi um grande mistério, pois não há tecnologia que permita que se perfure a crosta até chegar a esta região para coletar materiais.
bbc brasil nucleo interno planeta
A saída foi analisar ecos gerados por terremotos para estudar o núcleo da Terra, observando suas mudanças enquanto viajam pelas diferentes camadas do planeta. 
"As ondas estão indo e voltando de um lado para outro da Terra", disse Xiaodong Song, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Duas partes

De acordo com Song e outros cientistas na China, estes dados sugerem que o núcleo interno da Terra, uma região sólida aproximadamente do tamanho da Lua, é feito de duas partes.
Os dados da onda sísmica sugerem que os cristais no interior do núcleo interno estão alinhados na direção leste para oeste, se o observador estiver olhando para baixo, a partir do Polo Norte.
Os cristais que estão no "exterior do núcleo interno" estão alinhados de norte a sul; na vertical se o observador estiver olhando do Polo Norte.
"O fato de estarmos descobrindo estruturas diferentes em regiões diferentes do núcleo interno pode nos esclarecer algo a respeito da longa história da Terra", afirmou Song.
O núcleo do planeta, que está a mais de 5 mil quilômetros abaixo da superfície, começou a se solidificar cerca de um bilhão de anos atrás e continua crescendo cerca de 0,5 milímetro por ano.

Condições diferentes

A descoberta de que o núcleo interno da Terra tem cristais com alinhamentos diferentes sugere que eles se formaram em condições diferentes e que o nosso planeta pode ter passado por uma mudança dramática durante este período.
Comentando o estudo, Simon Redfern, professor da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha., disse que "a sondagem profunda no núcleo interno e sólido é como examinar o passado, o início de sua formação".
"As pessoas já notaram antes as diferenças na forma como as ondas sísmicas viajam pelas partes externas do núcleo interno e suas partes mais profundas, mas nunca antes elas sugeriram que o alinhamento do ferro cristalino que forma esta região é completamente torto comparado com as partes mais externas."
"Se isto for verdade, implicaria que algo muito importante aconteceu para mudar a orientação do núcleo, para mudar o alinhamento dos cristais", acrescentou.
Segundo Redfern, outros estudos sugerem que o campo magnético da Terra possa ter passado por uma mudança há cerca de meio bilhão de anos, mudando entre os eixos equatoriais e polares.
"Pode ser que o estranho alinhamento que o professor Song viu no núcleo mais profundo explique as estranhas assinaturas paleomagnéticas de rochas antigas que podiam estar presentes perto do equador há cerca de meio bilhão de anos."
"Mas, no momento, o modelo proposto nesta pesquisa precisa ser testado e comparado a outras formas de analisar as propriedades sísmicas do núcleo mais profundo da Terra, já que nenhum outro pesquisador pensou nestas provas para chegar a essas conclusões em seus estudos", afirmou.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Commodity explicada: petróleo e contagem de sondas

sonda perfuracao
Os dados da contagem semanal de sondas em atividade nos EUA publicados na sexta-feira (6/2), têm gerado considerável expectativa nos mercados de petróleo, com os números divulgados pelo grupo de serviços petrolíferos Baker Hughes, influenciando os preços do petróleo.

O que está acontecendo?

Os números identificam o nível de atividade de perfuração e têm sido tradicionalmente considerados como indicadores da saúde da indústria de petróleo dos EUA. Eles têm estado sob os holofotes desde que o mercado do petróleo despencou e os comerciantes e investidores tentam descobrir o que significam preços baixos para a produção de xisto dos EUA. Os números mais recentes mostram que plataformas de petróleo caíram 24% desde o pico recente de 1609, em outubro do ano passado. Números de sexta-feira foram particularmente gritantes, com 7,1% de todas as plataformas norte-americanas ociosas em uma semana.

OK, mas o que é uma sonda, exatamente?

Estas não são as grandes plataformas de petróleo no Mar do Norte ou do Golfo do México ou da Bacia de Campos e Santos. Elas são usadas na perfuração de poços, a partir de onde o petróleo será extraído. Após a perfuração ser concluída, a sonda será retirada do local e a cabeça do poço será tampada. Então, a contagem de sondas reflete exploração e desenvolvimento de poços de petróleo e gás, em vez de produção real.

Mas ainda é um dos principais indicadores do que está prestes a acontecer com o setor de petróleo e gás?

Os dados são uma boa referência da saúde das empresas de exploração e produção, bem como dos grupos de serviços de petróleo. E sim, eles dão alguma direção sobre a produção de petróleo. Mas atenção, nem todas as sondas são iguais. Os avanços tecnológicos na perfuração significam que todos os aumentos de produtividade foram feitas ao longo dos últimos anos e que é preciso olhar os outros números além da manchete. Por exemplo, a perfuração horizontal, juntamente com fraturamento hidráulico, ou "fracking", levou a grandes aumentos da produção de óleo e gás de xisto. Mas os dados da contagem de sondas mostram que o número de sondas de perfuração horizontal não caiu tanto como o das sondas convencionais.

O que é perfuração horizontal?

financial times infografico sondas horizontal vertical
A sonda perfura o solo até a camada de óleo ou formação rochosa produtoras de gás. Comparada a um equipamento vertical, cujo acesso à rocha produtora de petróleo é limitada, com uma plataforma horizontal a broca faz uma curva e penetra em uma camada. A tecnologia assim permitiu aumentar a produção e sua evolução continua.

Até agora, o número de plataformas verticais e direcionais (aquelas que perfuram em ligeiros ângulos) caiu mais rapidamente do que a de horizontais. Morgan Stanley diz que desde meados de outubro sondas de perfuração de petróleo horizontais cairam apenas 16% em comparação com a queda de 41% das sondas verticais e direcionais. O banco também aponta que a maioria das quedas de contagem de sondas ocorreram em regiões menos produtivas.

Então, devemos observar a contagem da plataforma afinal?

financial times grafico contagem sondas branco
Sim, mas devemos interpretar os dados com cuidado, pois a correlação entre a contagem de sondas e a produção tornou-se cada vez menos simples. Alguns analistas apontam para o exemplo do gás natural, onde a contagem de sondas norte-americanas começou a cair em 2009, mas a produção não conseguiu acompanhar esta redução. Com a tecnologia de perfuração avançando continuamente em direção a uma maior eficiência de produção, esta poderá não cair tanto quanto o título da contagem de sonda sugere. Na verdade, o Citigroup prevê que, sem um corte "considerável" na contagem de plataforma nas regiões líderes de produção de xisto como Bakken, Eagle Ford e Permian, a produção ainda pode continuar a subir.

Fonte: http://geofisicabrasil.com

Primeiro lote de 'metal do futuro' é produzido na Sibéria

gazeta russa berilio A Solomonov RIA Novosti
Investimento na construção da fábrica é estimado em cerca de US$ 30 milhões Foto: A.Solomonov/RIA Nóvosti

Em janeiro passado, os cientistas da Universidade Politécnica de Tomsk lançaram um lote de 100 gramas de berílio produzido em laboratório. A nova tecnologia, desenvolvida em parceria com uma fábrica química da Sibéria, deve permitir à Rússia se livrar da importação desse metal raro e precioso.
"A tecnologia proposta se diferencia por ciclos tecnológicos fechados e pela possibilidade de produção de concentrado não só de berílio metálico, como também de produtos comerciais que o acompanham – fluoreto de cálcio sintético e óxido de silício", disse à Gazeta Russa o vice-reitor da universidade, Aleksandr Diatchenko.
O procedimento também promete economizar em outro mineral valioso – a fluorita, usada em ótica, metalurgia e química, entre outras indústrias. "Ao longo do processo se dá um significante enriquecimento químico e dessiliconização", acrescentou Diatchenko.
O investimento na construção da fábrica é estimado em cerca de US$ 30 milhões, e o período de implementação do projeto é de cinco anos. Na próxima etapa, que terá início em 2020, os cientistas planejam produzir entre um e dois quilos de berílio metálico.

Preço do futuro

O berílio é um dos metais mais caros no mundo. Os órgãos de Defesa de diferentes países o consideram um dos "materiais estratégicos criticamente importantes", pois é usado nas indústrias nuclear e aeroespacial.
Sem esse metal é impossível voar, fazer raio-X, produzir armas nucleares e explorar o espaço. Por esse motivo, é que comum que o berílio seja chamado no meio científico de "metal da era espacial" ou "metal do futuro".
Segundo informações do Serviço Geológico dos EUA, o preço do berílio puro gira em torno de US$ 500 por quilo. Pode-se observar que o custo de berílio dobrou na última década – a demanda não acompanhou o limite de volume de produção primária.

Reserva em falta

Ainda é cedo para prever se a nova tecnologia mudará o equilíbrio de forças no mercado mundial. "A infraestrutura de mineração no campo Ermakovski está em más condições", diz o professor associado da Universidade Estadual de Mineração dos Urais, Mikhail Popov. "Precisamos de uma reavaliação das reservas."
"Será interessante ver como se comportarão com a nova tecnologia os minérios de berílio do depósito Marínski, nos Urais, que são compostos por outro silicato de berílio – o berilo", continua o professor.
Este campo era a principal fonte de minérios de berílio nos tempos soviéticos e ainda possui reservas consideráveis. O complexo de mineração para produção do concentrado de minério no Marínski se mantém preservado.
"Mas, além de tudo disso, o berílio é um metal tóxico, o que aumenta o seu custo de produção", arremata Popov.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Daniel Yergin: "A nova era do petróleo começou"

No começo dos anos 2000, esteve em voga a teoria de que as reservas de combustíveis fósseis se esgotariam num futuro próximo. O economista americano Daniel Yergin era um dos mais enfáticos opositores dessa tese. Segundo ele, a tecnologia levaria o homem a descobrir outras formas de explorar reservas de combustíveis fósseis. Suas previsões se mostraram precisas. Com a exploração das reservas de xisto nos Estados Unidos, a produção mundial disparou no fim de 2014, fazendo o preço do barril de petróleo recuar para menos de 50 dólares. Essa queda acentuada nos preços — que promete ser duradoura — tem impactos econômicos e geopolíticos ainda difíceis de estimar. Novamente, Yergin é um dos mais bem equipados para fazer essa análise. Vice-presidente do conselho de uma das maiores consultorias de energia dos Estados Unidos, depois de desenvolver uma carreira acadêmica na Universidade Harvard, ele é autor de dois livraços sobre a história da exploração do petróleo e a procura por novas fontes de energia:O Petróleo (Paz e Terra), vencedor do Pulitzer em 1992, e A Busca (Intrínseca), recém-lançado no Brasil. "Começou uma nova era do petróleo", diz Yergin. "Estatais de energia mundo afora, como a Petrobras, terão de levar muito a sério o desafio da competitividade se quiserem prosperar." Ele falou à reportagem de VEJA no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
daniel yergin wikimedia

Por que o preço do barril de petróleo caiu tanto em tão pouco tempo?

Numa fórmula simples, por causa da lei da oferta e da demanda. A produção de óleo e gás de xisto nos Estados Unidos cresceu de maneira inaudita. Ninguém contava que subisse tão rápido, nessa escala surpreendente. Em paralelo, há uma queda na demanda, porque as maiores economias do mundo estão em marcha lenta. Em 2014, a Agência Internacional de Energia reduziu as perspectivas para a demanda cinco vezes. Somam-se esses dois fatos e temos a redução drástica no valor do barril de petróleo, que deve perdurar porque não se prevê redução da oferta num futuro próximo. Mas o mais interessante nesse movimento é que a política do petróleo também mudou. Por muitas décadas, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes foram o que chamamos de swing producers, países capazes de definir os níveis de preço do combustível fóssil aumentando ou reduzindo a produção de suas reservas gigantescas. Pois bem, na reunião da Opep do fim do ano passado, os árabes anunciaram que não vão mais desempenhar esse papel e que caberá ao mercado encontrar seu ponto de equilíbrio. Fizeram isso porque, se reduzissem a produção para acompanhar a queda na demanda, criariam uma oportunidade para que países vizinhos como Iraque ou Irã abocanhassem um pedaço do seu mercado. Com toda a turbulência no Oriente Médio, eles parecem ter concluído que a estratégia de mercado livre atendia melhor aos seus interesses do que deixar a porta aberta para que vizinhos hostis pudessem se aproveitar. Em resumo, mudaram os níveis de produção, mudou a geopolítica. Os Estados Unidos, de certa forma, podem desempenhar o papel de "regulador de preços" que antes era dos países do Golfo.
É uma nova era do petróleo.

Se não fosse pelo xisto, quanto o barril poderia custar hoje?

Estima-se que em torno de 150 dólares, em vez dos cerca de 50 hoje vigentes. Teríamos um outro mundo à nossa frente.

O crescimento na produção de xisto nos Estados Unidos é realmente sustentável?

Uma fase importante no desenvolvimento dessa indústria está sendo superada, aquela da regulação. Na maior parte dos estados americanos produtores, a controvérsia amainou. Participei da comissão que o presidente Barack Obama criou para estudar os aspectos ambientais do gás de xisto, que são os mesmos da extração de óleo de xisto. Há questões ambientais que de fato precisam ser tratadas com todo o rigor. Mas a legislação foi posta de pé, nos planos federal e estadual, e as empresas têm respeitado as normas, porque as multas para irregularidades são altíssimas. A indústria, portanto, está muito mais madura, e só não deve crescer com a mesma velocidade em 2015 porque, como eu disse, os Estados Unidos têm um novo papel na regulação do preço do barril de petróleo e já estão se exercitando nessa área. Em vez de produzirem 1 milhão de barris adicionais por dia, os Estados Unidos vão produzir meio milhão em 2015, pois agora planejam a produção em função dos preços. Mas os investimentos em tecnologia vão continuar. Eles visam a tornar a perfuração uma atividade menos onerosa. Em tempos de petróleo barato, ganhos de competitividade são fundamentais, e os produtores americanos sabem disso.

A morte do rei Abdullah, da Arábia Saudita, em meados de janeiro, pode trazer alguma mudança na política para o petróleo que se desenhou no fim do ano passado?

Não. Trata-se de uma decisão de governo. O sucessor de Abdullah, o rei Salman, já afirmou que manterá as mesmas diretrizes. Ele vinha participando das decisões mais importantes ao longo dos últimos anos. Se outro grande produtor de petróleo decidir reduzir a produção, como a Rússia, pode ser que eles revejam sua política. Mas, por enquanto, ficou instituído que não vão mexer nos níveis de produção.

Outros países com grande produção de petróleo, como Venezuela e Irã, brigaram muito na última reunião da Opep para que a produção caísse e os preços se mantivessem mais altos. A posição da Arábia Saudita prevaleceu. O que aguarda esses países num futuro próximo?

Crise. A Venezuela será o país mais afetado, porque já está falida. Com o petróleo a 100 dólares, ela já passava por grandes dificuldades. Agora, a situação se complicará muitíssimo. A Venezuela não tem acesso ao mercado de capitais, não tem uma indústria diversificada, sofre escassez de muitos produtos básicos. Foi gerida de forma tão ruim que ficou sem saída. Para piorar, o petróleo venezuelano está competindo com o canadense no mercado americano. Como se financiar diante dessa nova realidade? O presidente Nicolás Maduro tem viajado ao redor do mundo para pedir dinheiro. Ele chegou a dizer que "Deus vai prover". Quando um socialista pede a Deus que o resgate financeiramente, é porque as coisas estão complicadas. O novo cenário também será um grave problema para o Irã, uma vez que Hassan Rohani, o novo presidente, construiu sua plataforma de governo como todos os outros presidentes iranianos, ou seja, sobre uma economia financiada pelo petróleo. Haverá muita pressão sobre ele.
Fonte: http://geofisicabrasil.com