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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Semana de Estudos Geológicos do Paraná traz palestras e cursos

ufpr segepar 40 anos
A Semana de Estudos Geológicos do Paraná 2016 acontecerá nos dias 19 a 24 de setembro. Esta é a 12a edição da semana acadêmica do curso de Geologia da UFPR, que será in memoriam do professor João José Bigarella.
As inscrições devem ser feitas na página do evento, e confirmadas nos dias 25, 26 ou 29 de agosto na Sala de Estudos do Departamento de Geologia. A programação conta com mini-cursos e palestras de convidados de diversas regiões do país.

Serviço

XII Semana de Estudos Geológicos do Paraná
Data: 19 a 24 de setembro
Local: Auditório do Simepar – Centro Politécnico
Endereço: Av. Coronel Francisco Heráclito dos Santos, 210 – Jardim das Américas – Curitiba PR
Inscrições aqui
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Texas aposta em energia eólica e solar

wsj parque eolico colorado
Numa noite de ventos fortes em fevereiro, o mercado de energia elétrica do Texas atingiu um marco histórico. Cerca de metade da energia que chegava à rede elétrica vinha de turbinas eólicas, um nível inimaginável dez anos atrás num lugar mais conhecido por sua longa ligação com os combustíveis fósseis.
O Estado americano ainda apoia seu setor de petróleo e gás, tendo liderado a revolução do fraturamento hidráulico, ou “fracking”, uma técnica inovadora que permitiu a exploração de formações de xisto. Ainda assim, uma igualmente surpreendente bonança energética no Texas está passando quase despercebida: a ascensão das fontes renováveis.
O Texas adicionou mais capacidade de geração baseada na energia eólica do que qualquer outro Estado americano, com turbinas eólicas tendo respondido por 16% da sua capacidade de geração de energia em abril. O Estado agora prevê um enorme incremento da energia solar.
Num momento em que os políticos dos EUA travam um debate feroz sobre mudanças climáticas e os críticos dizem que a “energia verde” não passa de uma invenção do governo, o Texas vem seguindo uma abordagem que funciona dentro do sistema de energia do Estado, baseado no mercado livre. Autoridades locais dizem ser praticamente certo que a energia eólica e a solar vão ter um papel cada vez mais significativo no futuro do setor energético do Texas, mesmo com a diminuição dos subsídios do governo federal, nos próximos anos.
“Estamos no terceiro capítulo de um livro com 50 capítulos”, diz Joel Mickey, diretor de projeto e desenvolvimento de mercado da Electric Reliability Council of Texas (Ercot), operadora da rede elétrica do Estado.
Fora do Texas, a maior parte do crescimento das energias renováveis está ocorrendo nos Estados tradicionalmente liderados pelo partido do governo, o Democrata. A Califórnia é líder em energia solar, com mais sistemas gerando energia hoje do que o Texas espera adicionar nos próximos cinco a dez anos.
Neste mês, Nova York concluiu um plano para chegar a 2030 com metade de sua energia vinda de fontes que não geram emissão de carbono, com grandes metas para turbinas eólicas em alto-mar. Parques eólicos forneceram quase 35% da energia consumida no Estado de Iowa no ano passado — o percentual mais alto entre todos os Estados americanos.
wsj matriz energetica texas 2016
O Texas continua sendo um dos poucos Estados liderados pelo Partido Republicano, de oposição, a aderir a essa tendência. Mas sua transformação não se deu sem riscos. No começo, o governo estadual cobrou bilhões de dólares em impostos dos usuários do sistema elétrico para construir as linhas de transmissão necessárias para trazer a energia gerada no oeste do Estado, onde os ventos são abundantes, para as cidades carentes de energia. Também houve uma curva de aprendizado. A energia renovável só está disponível quando há vento e o sol brilha. Ela não pode simplesmente ser enviada quando é preciso, mas apenas quando está disponível, o que significa que as autoridades responsáveis pela rede de energia tiveram que desenvolver uma obsessão por previsões meteorológicas. Ainda não existem tecnologias eficientes para armazenagem em baterias.

E ainda há a questão dos subsídios. Projetos eólicos recebem generosas verbas federais quando geram eletricidade. Nos leilões, isso significa que, às vezes, eles podem pagar o Estado para que ele use a sua energia e ainda assim serem lucrativos, subvertendo o modelo de negócios dos fornecedores de energia gerada por combustíveis fósseis.
Alguns críticos receiam que isso possa fazer com que companhias desativem prematuramente suas unidades que exploram combustíveis fósseis — apesar de algumas fontes, como o gás natural e o carvão, serem hoje claramente mais baratas.
Como manteremos grandes operações de combustíveis fósseis funcionando se as energias eólica e solar comprometeram sua viabilidade econômica a ponto de as empresas quererem encerrá-las?, pergunta Travis Fisher, economista do Instituto para Pesquisa de Energia, centro de estudos de viés conservador.
Uma pesquisa recente realizada pela Coalizão do Texas pela Energia Limpa, um grupo apartidário que apoia o crescimento do uso do gás e da energia renovável, verificou que, apesar da forte aversão às regulações ambientais federais que visam reduzir o consumo de carvão, 85% dos texanos são favoráveis à expansão das energias renováveis e 9% são contrários.
Os moradores de Houston, por exemplo, podem atualmente escolher entre 107 planos diferentes que oferecem energia com um percentual entre 5% e 100% de fontes renováveis. Em geral, eles aceitam pagar um pouco mais pela energia verde.
Um cronograma que prevê a redução dos subsídios federais nos próximos anos já foi definido. Uma outra questão vital que tem incentivado a adoção das fontes renováveis é a queda nos custos das tecnologias eólica e solar. No caso da solar, os custos recuaram 48% desde 2010, sendo que no ano passado a queda foi de 6%, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar, um grupo setorial. Eles devem continuar diminuindo à medida que os painéis solares passarem a ser produzidos em maior escala e se tornarem mais eficientes.
“[O Texas] quer ter uma diversidade de recursos porque ninguém sabe qual será o preço do gás no futuro”, diz Joel Cohn, da consultoria CohnReznick, de Nova York. A Ercot estima que haverá um crescimento explosivo da energia solar. Uma análise indicou que uma recente extensão de um crédito tributário federal para incentivar a adoção desse tipo de energia pode levar à adição de até 19 mil megawatts de capacidade de energia solar dentro de 15 anos, ante 500 megawatts disponíveis hoje.
O Texas está prestes a saltar da décima para a segunda posição entre os Estados americanos com mais capacidade de geração de energia solar dentro de cinco anos, atrás apenas da Califórnia, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar.
O Estado tem hoje mais de 100 mil pessoas trabalhando no setor de energia renovável, segundo a Comissão de Força de Trabalho do Texas, entidade voltada para a criação de empregos.
Em San Antonio, a concessionária municipal de energia, CPS Energy, substituiu uma usina movida a carvão por uma instalação de energia solar. “É limpa. É silenciosa. As pessoas a querem aqui”, diz Randy Jenks, que desenvolve projetos de energia solar para a OCI Solar Power, que pertence à sul-coreana OCI Company.
Quando todas as fases do empreendimento estiverem concluídas, o projeto Alamo deve gerar mais de 450 megawatts, uma capacidade que supera a que existia em todo o Texas há dois anos.
A CPS começou a pensar em enegia solar em 2010 e, dois anos depois, contratou a OCI Solar para pôr o projeto em prática. Fontes renováveis ainda são uma pequena parcela dos negócios da CPS, mas a companhia espera que elas cresçam rapidamente. “Os custos caíram a um patamar em que as pessoas podem, de fato, ver o valor” delas, diz Cris Eugster, o diretor operacional.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

China fará em 2017 seis conferências de geociências

International Conference will be held from February 26 to 28, 2017 in Sanya, China.
GRP 2017 will be co-located with the following conferences:

Presentation and Recommendation

All the accepted papers will be published by "Journal of Geoscience and Environment Protection" (ISSN: 2327-4336), a peer-reviewed open access journal that can ensure the widest dissemination of your published work.
For more information, please visit: http://www.scirp.org/journal/gep/
You're welcome to submit abstracts for presentation. The abstracts are only used for oral presentations and will not be published in the conference journal.
We are looking forward to seeing you in Sanya.

Fonte: http://geofisicabrasil.com

Geólogos buscam marcas para adotar oficialmente o Antropoceno

oglobo antropoceno foto eurico dantas
’Tecnofósseis’: acúmulo de lixo eletrônico e outros materiais artificiais nos sedimentos em terra e nos oceanos seria uma das evidências permanentes do Antropoceno - Eurico Dantas / Eurico Dantas

Antropoceno, ou a “idade dos humanos”. O que começou apenas como um conceito nos anos 1980, ganhou corpo na década de 1990 e se popularizou a partir do início dos 2000 pode em breve se tornar oficial, acompanhado de evidências físicas encontráveis ao redor do mundo. Na próxima segunda-feira, Jan Zalasiewicz e Colin Waters — respectivamente presidente e secretário de um grupo de trabalho especial sobre o Antropoceno criado pela Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS, na sigla em inglês) — apresentam durante o 35º Congresso Internacional de Geologia, cuja abertura acontece amanhã na Cidade do Cabo, África do Sul, os últimos resultados da busca por estas marcas deixadas pela Humanidade no planeta.
A apresentação de Zalasiewicz e Waters deverá preceder recomendação à ICS, em um futuro congresso, de que o Antropoceno seja adotado oficialmente, tendo como provável início meados do século XX, época da apelidada Grande Aceleração, a partir da qual a ação humana teria de fato alterado o caminho natural de alguns dos principais sistemas terrestres. E não são pequenas estas mudanças. Em estudo publicado no começo de 2015 na prestigiada revista científica “Science”, um grupo internacional de 18 pesquisadores liderado por Will Steffen, professor da Universidade Nacional da Austrália, do Centro sobre Resiliência de Estocolmo e conhecido defensor da oficialização do Antropoceno, analisou o estado de nove sistemas naturais de escala global considerados fundamentais para a manutenção da vida na Terra e revelou que quatro deles já ultrapassaram a chamada “fronteira planetária” para continuar a fornecer os “serviços ecossistêmicos” dos quais nossa sociedade depende, como o suprimento de água fresca, solos férteis e estabilidade climática.

Ameaça à sobrevivência

Segundo os cientistas, destes quatro sistemas, dois são tão essenciais e estão sofrendo alterações tão grandes que ameaçam a própria futura sobrevivência da Humanidade: a perda de integridade da biosfera, traduzida por um ritmo cada vez mais rápido de extinções; e o clima, afetado por crescentes emissões de gases e outras substâncias causadoras do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2). Já os outros sistemas que também passaram do limite apontado como “seguro” para a estabilidade do planeta são as mudanças no uso do solo, com florestas, savanas e outros biomas que ajudam a regular os processos climáticos e biofísicos da Terra dando lugar a plantações e áreas urbanas; e os ciclos bioquímicos globais do nitrogênio e do fósforo, elementos que compõem boa parte dos fertilizantes usados na agricultura e que acabam nos oceanos, onde criam as chamadas “zonas mortas” ao reduzir a concentração de oxigênio dissolvido na água.
Já no início deste ano, também na “Science”, Zalasiewicz e Waters encabeçaram artigo assinado pelos mais de 30 integrantes do grupo de trabalho especial em que relataram quais seriam as prováveis marcas geológicas do Antropoceno, assim como as discussões sobre quando poderia se estabelecer seu início. Entre elas, por exemplo, estão o que chamaram de “tecnofósseis”, os resíduos de plástico, concreto, alumínio elemental e outros materiais artificiais que estão se acumulando nos depósitos sedimentares em terra e nos oceanos do planeta.
Outros registros importantes apontados então pelos integrantes da comissão são a fuligem e as cinzas da queima de combustíveis fósseis que também encontraram lugar nestes sedimentos, além de se acumularem no gelo das regiões polares a partir do século XVII. Isso sem contar o gelo polar e das geleiras continentais e de altitude que ainda guardam bolhas de ar com níveis de dióxido de carbono (CO2) muito acima dos encontrados em tempos anteriores, subindo gradualmente com o início da Revolução Industrial no século XVIII e disparando a partir dos anos 1950. E ainda os elementos radioativos espalhados globalmente com a explosão da primeira bomba atômica em 1945, reforçados pelas dezenas de testes nucleares realizados nas décadas seguintes, e as já citadas alterações no ciclo de nitrogênio.

‘Sujar as mãos’ para convencer

Mas não será fácil convencer os sisudos integrantes da ICS, mais antigo órgão científico da União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS), a aceitar o Antropoceno como uma época oficial. Acostumados a ver claramente no solo e nas rochas do planeta as transições entre suas muitas eras, períodos e épocas em boa parte dos mais de 4,5 bilhões de anos de História da Terra, muitos duvidam que as evidências da ação humana já tenham literalmente se sedimentado no registro geológico de forma identificável, permanente e indelével, ainda mais no curto período de tempo passado desde a Grande Aceleração.
A começar pelo próprio presidente da comissão de estratigrafia, Stanley Finney, que logo após a apresentação de Zalasiewicz e Waters no congresso na próxima segunda fará sua própria palestra na mesma sessão, com o belicoso título “A errônea busca para definir o ‘Antropoceno’ como uma unidade oficialmente reconhecida da Escala de Tempo Geológico” (em tradução livre a partir do programa científico do evento). Finney, no entanto, teme que a recusa em adotar oficialmente o Antropoceno gere críticas à ICS, em especial de organizações e ativistas ligadas ao meio ambiente e à luta contra o aquecimento global, que nos últimos anos têm usado cada vez mais o termo para chamar a atenção para os problemas que a Humanidade está trazendo ao planeta.
— Sinto-me como um farol com uma enorme onda de tsunami vindo em sua direção — resumiu em recente entrevista ao site da “Science” sobre o assunto.
Zalasiewicz e Waters, por sua vez, reconhecem que este será um trabalho difícil, mas têm confiança de que geólogos ao redor do mundo encontrarão as evidências necessárias para dobrar a ICS.
— Vamos sair e vamos sujar as mãos na busca por seções (de solo) que possamos propôr formalmente (como marca do início do Antropoceno) — concluiu Zalasiewicz, também ao site da revista “Science”.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

O Aquífero Guarani ameaçado

– A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou “o direito à água potável, limpa e segura, e ao saneamento como um direito humano que é essencial para o pleno gozo da vida e de todos os direitos humanos”.
– A resolução recebeu 122 votos a favor, nenhum voto contra e 41 países abstiveram-se. As abstenções foram, entre outros, da Armênia, Austrália, Áustria, Botswana, Bulgária, Canadá, Dinamarca, Eslováquia, EUA, Grécia, Guiana, Islândia, Irlanda, Israel, Japão, Kazakhstan, Luxemburgo, Malta, Holanda, Nova Zelândia, Polônia, República da Coreia, República Tcheca, Romênia, Suécia, Trinidad e Tobago, Turquia, Ucrânia e Reino Unido.
– Estima-se que cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável (no Brasil, são cerca de 40 milhões) e 2,5 bilhões de pessoas não são atendidas por serviços de saneamento (cerca de 100 milhões de brasileiros). Em consequência, mais de duas crianças morrem a cada minuto, por doenças de veiculação hídrica, isto é, complicações decorrentes da falta de qualidade da água.
– O investimento anual para corrigir, até 2025, a falta de saneamento no mundo, é estimado em US$ 9,5 bilhões. Este investimento resultaria em US$ 66,5 bilhões anuais de economia em dispêndios, hoje realizados na solução dos problemas de saúde decorrentes da falta de saneamento e que, a cada ano, subtraem 5 bilhões de dias de trabalho e 443 milhões de dias de aula. Ou seja, a cada US$ 1 investido em saneamento, retornariam outros US$ 7.
– A resolução da ONU, apesar de discorrer sobre o óbvio, a água como direito fundamental, fortalece a discussão sobre a transformação da água em mercadoria, uma “commodity”.
– O modelo econômico obsessivamente consumista e que ameaça com a privatização de fontes de água, mananciais, barragens e hidrovias, em escala mundial, é assim questionado. A insegurança hídrica dele resultante é questionada também no comprometimento da potabilidade, em consequência da emissão de efluentes e disposição inadequada de resíduos, caso recente e dramático do Rio Doce, praticamente extinto pela irresponsabilidade de empresas mineradoras (Samarco, Vale e BHP Billington, esta uma corporação multinacional).
– A indisponibilidade de água para tamanha população, no entanto, resulta também do mau uso, representando mais do que mera disponibilização de “recursos financeiros, capacitação e tecnologia, através de ajuda e cooperação internacional, em particular aos países em desenvolvimento” como prevê a resolução, em seu artigo segundo.
– Cerca de 70% do consumo total de água é para o uso agropecuário, onde a substituição das formas onerosas de abastecimento, como a dos pivôs centrais, por sistemas mais adequados de irrigação (canaletas e gotejamento, por exemplo) esbarra em interesses políticos e nos resquícios autoritários do agronegócio, sucessores das “plantations”, com seus coronéis congelados no século XVII e XVIII. O consumo pessoal, frequentemente acusado de desperdício, responde por apenas 2% do consumo total.
– Outras formas menos evidentes de privatização deste direito fundamental, mas tão importantes quanto, estão representadas pela extração de madeira de florestas ou pela conversão de florestas para a agricultura ou para a criação de gado em grande escala. São casos também da mineração e da exploração de petróleo, na medida em que os produtos químicos usados ou liberados nestas atividades, interferem na disponibilidade de água potável.
– Outras formas de apropriação privada derivam de reflorestamentos econômicos, que consomem grandes quantidades diárias de água ou do resfriamento e congelamento requerido na comercialização de carnes.
– Outra significativa forma de preservar as reservas de água doce existentes corresponde aos aquíferos. Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina compartilham o Aquífero Guarani, reservatório colossal de águas subterrâneas, geologicamente formado por basalto, derramado nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior, o que significa algo formado por 200 milhões a 130 milhões de anos.
– As reservas permanentes de água doce do Aquífero Guarani são da ordem de 45.000km³. Estima-se que o potencial de exploração sem riscos de suas reservas seja de 40km³ anuais. Hoje, a maior ameaça ao Aquífero Guarani deriva da política econômica, com o risco de privatização das reservas de água e suas consequências, como se verá na continuidade desta coluna.
– O modo de produção capitalista distancia-se do sistema ambiental, exigindo de governos, instituições, comunidades, universidades e agentes econômicos a gestão democrática das externalidades negativas, inerentes a uma sociedade baseada no consumo obsessivo e na consequente pressão sobre os recursos naturais.
– Nenhuma atividade econômica que venha a comprometer os recursos hídricos pode mais ser aceita e já há registros de lutas contra a privatização deste bem comum, herança do planeta e direito fundamental do Homem. É o caso da “Guerra pela Água”, iniciada em 1999, que veremos na próxima edição.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

'As pessoas não pensam muito sobre onde pisam', diz geólogo

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"Nos focamos no espaço, sistema solar, mas não sabemos o que há abaixo dos nossos pés", acredita Iain Stewart - Fernando Lemos / Agência O Globo

"Fui ator quando criança, e hoje sou professor de Comunicação em Geociências da Universidade de Plymouth. Já vim a o Brasil alguns anos atrás filmar a pororoca , e vim ao Rio pela primeira vez neste ano. Em 2012, não estava em Londres, então, interrompi minhas férias para vir à Olimpíada no Rio."

Conte algo que não sei.

Se você voltar 120 milhões de anos, o que é pouco para geologia, o Brasil fazia parte da África. Do Pão de Açúcar, provavelmente, era possível ter uma ótima visão da África indo embora. A separação continental trouxe benefícios ao Brasil em termos de biodiversidade e de óleo e gás. A biodiversidade da Amazônia, por exemplo, está ligada ao momento da separação. Foi um momento essencial para o legado ambiental brasileiro. Durante a separação, devia ter muita erupção e terremotos, um processo bem violento. Por causa desse processo geológico, foi formada na costa a camada do pré sal. Nos países do litoral de lá, como Angola e Namíbia, ocorreu a mesma coisa.

Você faz sucesso com programas de TV sobre geologia. O passado como ator ajudou?

A atuação e a Ciência são basicamente a mesma coisa (risos). O professor tem que ser performático, só muda a plateia. A comunicação é muito importante e me ajudou, principalmente, a pensar no que a plateia quer e precisa ouvir. Foi uma ótima preparação e deixa meus programas mais atrativos. As pessoas lembram pouco do conhecimento científico que aprendem na escola, por isso é importante a Ciência estar na mídia de massa. Assim, podemos mudar a maneira da sociedade pensar. A televisão ainda é o maior canal, mas a internet está mudando isso.

E os cientistas estão conseguindo se adaptar?

Não sei se conseguem lidar tão bem. A internet deixa o ambiente mais excitante. É fácil se inserir, mas é difícil usar as ferramentas da melhor forma. Eu, por exemplo, faço vídeos no Youtube que podem ser vistos por milhões de pessoas, há uma facilidade maior. Mas, ao mesmo tempo, temos que competir com vídeos de gatos tocando piano, é desigual.

Você estuda as interações sociais promovidas pela geologia. O que seria isso?

Tento entender como o planeta funciona e como interagimos com ele, desde as sociedades mais antigas até o presente. Há uma conexão cultural de povos com a Terra, que varia de acordo com vários fatores. Em como lidamos com desastres naturais, por exemplo. No Reino Unido, não há grandes desastres, nosso petróleo é basicamente offshore (exploração no mar). Provavelmente, no Brasil é assim também.

E qual é a consequência sobre a interação social nesses casos?

Não há uma conexão cultural muito forte com a Terra. As pessoas acabam não pensando muito sobre onde estamos pisando. Em locais em que existem terremotos, as pessoas são mais conectadas, e podem conhecer mais sobre o subsolo, o que é uma vantagem nos estudos sobre energia. Nos focamos no espaço, sistema solar, mas não sabemos o que há abaixo dos nossos pés, e é de onde muitos dos nossos recursos vêm. Ao saber o que existe no subsolo ficamos numa posição melhor para tomar decisões estratégicas.

A Inglaterra está numa posição melhor após o Brexit?

Nossos campos de petróleo do Norte, que sempre foram nossa fonte principal, estão caindo, então o movimento atual no Reino Unido é mudar a exploração do offshore para onshore, que é com sonda em terra, um processo mais barato. Será uma experiência em que podemos aprender muito e ver se vai dar certo mesmo. No universo acadêmico todos eram contra o Brexit, mas dentro do escopo da geologia não sei se vai alterar tanto.
Fonte: http://geofisicabrasil.com

Terra vive nova época geológica, defendem cientistas

Para grupo de especialistas, impacto da ação humana sobre o planeta pôs fim ao Holoceno e marca início de nova época, chamada Antropoceno. Recomendação, apresentada em congresso de geologia, aguarda aprovação oficial.
A ação do homem sobre a Terra é tão impactante que justificaria a declaração de uma nova época geológica, segundo acredita um grupo internacional de cientistas. A recomendação foi apresentada nesta segunda-feira (29/08) ao Congresso Internacional de Geologia, que ocorre na África do Sul.
Para os especialistas, a época denominada Antropoceno, ou "Nova Idade do Homem", teria se iniciado em meados do século 20, entre as décadas de 40 e 50, quando houve dispersão de material radioativo após testes com bombas nucleares, o que causou impacto significativo no planeta.
Segundo os cientistas, porém, há uma série de outros sinais que podem servir de justificativa para a declaração de uma nova época, como a poluição por plástico, a fuligem do ar e até mesmo as ossadas deixadas pela proliferação global de galinhas domésticas, criadas para alimentar a população.
Especialistas se referem ao período desde os anos 50 como a "Grande Aceleração", e uma olhada nos gráficos que mostram as mudanças químicas e socioeconômicas na Terra a partir dessa data deixa evidente o porquê de tal denominação.
As concentrações de dióxido de carbono, metano e ozônio estratosférico no ar, as temperaturas da superfície terrestre, a acidificação dos oceanos, a captura de peixes marinhos, as perdas de floresta tropical, o crescimento populacional, a construção de grandes barragens, o turismo internacional - todos esses indicadores decolaram a partir de meados do século 20.
Para os cientistas, um dos principais culpados é o aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis. "Muitas dessas mudanças são duradouras geologicamente, e algumas são praticamente irreversíveis", justifica o estudo apresentado na Cidade do Cabo.
Para que o Antropoceno seja de fato declarado realidade, a recomendação do grupo de cientistas - denominado Working Group on the Anthropocene (WGA) - precisa ser aprovada oficialmente, o que pode levar pelo menos dois anos, já que exige a ratificação de vários organismos acadêmicos.
Os geólogos dividem a história da Terra em distintas épocas. Atualmente, segundo o consenso vigente, vive-se o Holoceno, que teve início há quase 12 mil anos com o fim da última era glacial.
O termo Antropoceno foi introduzido nos anos 2000 pelo biólogo americano Eugene Stoermer e pelo meteorologista holandês Paul Crutzen. Desde então, a denominação é constantemente utilizada no meio acadêmico e defendida por muitos grupos de cientistas, apesar de não oficial.
Fonte: http://geofisicabrasil.com