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domingo, 9 de outubro de 2016

Petróleo de xisto americano sobrevive ao colapso

Quando os preços do petróleo começaram a cair há dois anos, devido ao excedente global de oferta, os especialistas previram que os produtores de petróleo de xisto dos Estados Unidos seriam as grandes vítimas.
Mas as empresas americanas que revolucionaram o negócio de petróleo e gás com o fraturamento hidráulico, ou “fracking”, e a perfuração horizontal estão sobrevivendo ao massacre praticamente ilesas.
Embora o colapso de preços tenha provocado uma onda de falências, a produção total de petróleo americano caiu apenas 535 mil barris por dia até o momento este ano ante o mesmo período de 2015, quando ela ficou em uma média de 9,4 milhões de barris, segundo os dados federais mais recentes.
Num momento em que os mercados tentam adivinhar em quais regiões a produção voltará a crescer quando os preços se recuperarem, uma resposta está clara: América. OGoldman Sachs prevê que os EUA estarão bombeando um adicional de 600 mil a 700 mil barris de petróleo por dia até o fim de 2017 — compensando cada gota perdida durante a crise.
Poucos previram isso no segundo semestre de 2014, quando a Arábia Saudita sinalizou que não iria reduzir sua produção para derrubar os preços do petróleo. Especialistas do setor concluíram que uma redução brutal de preços forçaria os produtores menos eficientes conhecidos como “marginais” — um grupo que inclui os produtores de xisto — a sair do mercado.
Mas a maior consequência da decisão saudita e subsequente queda nos preços foi um atraso nos megaprojetos caros de petróleo, como as plataformas em águas profundas na costa de Angola e as minas de areias betuminosas no Canadá.
Mesmo se os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), reunidos esta semana na Argélia, conseguirem fechar um acordo ainda este ano para cortar a produção, os produtores americanos cobrirão esse vácuo. “Os EUA não são produtores marginais, mas são os mais flexíveis”, diz R.T. Dukes, analista da consultoria britânica Wood Mackenzie. “Serão os mais rápidos a voltar.”
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Mais de 100 produtores americanos de petróleo entraram em recuperação judicial durante a crise, mas mesmo essas empresas continuaram a explorar petróleo e gás. Muitos se livraram da recuperação judicial e ficaram mais fortes graças a um resultado financeiro sem dívidas. A SandRidge Energy Inc., que entrou em recuperação judicial em maio, sairá desse processo no próximo mês, depois de eliminar quase US$ 3,7 bilhões em dívidas.
Muitos operadores de xisto enfrentam dificuldades no nível atual de preços, buscando novas injeções de recursos em Wall Street enquanto operam com prejuízo. Mas os produtores mais fortes, como a EOG ResourcesInc. e a Continental Resources Inc., em breve serão capazes de gerar dinheiro suficiente para fazer novos investimentos e pagar dividendos — assim como impulsionar a produção — mesmo com os preços baixos, dizem analistas.
A produção americana começou a crescer em julho, logo depois que os preços do petróleo voltaram para o território de US$ 50 por barril. Rapidamente, os produtores puseram 100 sondas em operação nos últimos meses. O aumento na produção assustou o mercado, derrubando as cotações em 20%, de volta ao nível de US$ 40. Mais recentemente, elas subiram para cerca de US$ 45.
As oscilações devem continuar por meses, à medida que os produtores de xisto voltem ao trabalho, diz Eric Lee, analista do Citibank, que prevê que o petróleo bruto se estabilizará em torno de US$ 60 por barril no fim de 2017.
Embora os tanques de armazenamento de petróleo estejam lotados no mundo todo, novas fontes logo serão necessárias porque campos de petróleo mais antigos registram queda de 5% ao ano na produção enquanto a demanda global cresce a um ritmo de 1,2% ao ano. A demanda atingirá a marca de 100 milhões de barris diários em 2020, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
O iminente descasamento entre oferta e demanda é um dos motivos pelo qual o dinheiro fácil que impulsionou o boom da exploração americana não secou, diz Lewis Hart, diretor sênior de consultoria corporativa e bancos do Brown Brothers Harriman, banco de Nova York.
Mesmo com os bancos e outros financiadores tradicionais fechando os cofres, fontes alternativas de dinheiro estão se multiplicando, desde fundos de private equity até especialistas em dívidas de risco.
“A própria existência desse capital significa que os preços devem ficar baixos por mais tempo, porque ele só piora o problema de oferta”, diz Hart.
Um motivo importante para a resistência dos produtores americanos é que eles encontraram formas de cortar custos e maximizar suas eficiências durante os anos de crise. Essas inovações agora devem impulsionar o ressurgimento do setor. Os cortes de custos foram dolorosos para muitos. Quase 160 mil trabalhadores foram demitidos em todo o país, segundo os dados mais recentes da consultoria Graves & Co.
Mesmo assim, muitas empresas que não acumularam dívida ou gastaram além de seus recursos durante o boom agora têm recursos suficientes para tirar proveito dos efeitos negativos do colapso nas finanças do setor.
Albert Huddleston, fundador e sócio-gerente da Aethon Energy, diz que a empresa, com sede em Dallas, gastou mais de US$ 600 milhões com a aquisição de ativos de petróleo e gás abatidos por dívidas desde o começo do declínio de preços, em 2014. “Pode-se matar o xisto? A resposta é não”, diz ele.

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Petroleiras investem em tecnologias digitais

À medida que as empresas de exploração de petróleo e gás avaliam minuciosamente cada dólar investido, elas investem de forma mais inteligente em tecnologias digitais, buscando gerar valor e reduzir custos em meio aos baixos preços do petróleo e do gás praticados globalmente, segundo uma pesquisa da Accenture (NYSE: ACN) e da Microsoft Corp. (NASDAQ: MSFT). Entre os entrevistados para o relatório "Tendências Digitais de Exploração de Petróleo e Gás" estão companhias petrolíferas internacionais (IOCs, sigla em Inglês), companhias petrolíferas nacionais (NOCs, sigla em Inglês), empresas independentes e empresas de serviços de campo petrolífero.
Ao longo dos próximos três a cinco anos, 80% das empresas de upstream (exploração e produção) de petróleo e gás pretendem investir o mesmo, mais, ou significativamente mais (30%, 36% e 14%, respectivamente) em tecnologias digitais do que o fazem agora, de acordo com a pesquisa, que chega a quinta edição. Este investimento contínuo em digital deve-se à confiança dos entrevistados de que as tecnologias digitais podem continuar a ajudá-los a estimular organizações mais enxutas e inteligentes.
Mais da metade (53%) dos entrevistados disseram que o digital já está agregando alto ou significativo valor a seus negócios. A redução de custos foi identificada pelos entrevistados como o maior desafio das tecnologias digitais atualmente. Além disso, os respondentes relataram que uma melhor e mais rápida tomada de decisão é o maior benefício que as tecnologias digitais podem proporcionar (56%), e que uma das maiores barreiras para a geração de valor é a falta de uma estratégia clara de negócio, e não a tecnologia em si.
Os atuais investimentos digitais se concentram mais em mobilidade, com 57% dos entrevistados relatando terem investido em tecnologias móveis, comparado a 49% na pesquisa do ano passado. Em seguida estão os investimentos em Internet das Coisas (IoT), com 44% este ano contra 25% em 2015; e a nuvem (38%), um aumento de 8% em relação ao ano passado. Ao longo dos próximos três a cinco anos, estes investimentos deverão ser impulsionados por big data e analytics (38%), Internet das coisas (36%) e tecnologias móveis (31%).
"No atual ambiente desafiador, a indústria de upstream em petróleo e gás está priorizando tecnologias digitais em áreas que irão ajudá-los a trabalhar de forma mais inteligente e a obter significativa eficiência e economia no curto prazo, permitindo-lhes tomar decisões mais adequadas e mais rápidas", destaca Rich Holsman, líder global de Digital na prática de Energia da Accenture. "Dessa forma, no curto prazo, esperamos que essas empresas continuem a investir em áreas que ajudem a reduzir os custos de operação por meio de tecnologias, como o aumento da produtividade do trabalhador com a mobilidade, redução dos custos de infraestrutura por meio da nuvem e o melhor gerenciamento de ativos por analytics."
Os entrevistados afirmam que, até o momento, o maior impacto do digital na força de trabalho para exploração de petróleo e gás foi o aumento da produtividade e o engajamento dos funcionários, seguido por uma melhor formação e oportunidades de requalificação. Para eles, o maior impacto da Internet das Coisas será permitir que os colaboradores em campo permaneçam conectados, com 60% dos respondentes planejando ter funcionários digitalmente ativos e conectados com dispositivos inteligentes.
De acordo com os entrevistados, a nuvem deixou de ser usada prioritariamente para infraestrutura e passou a ser uma facilitadora para ferramentas móveis. Esta tendência deverá crescer nos próximos 3-5 anos, conforme as empresas forem utilizando a nuvem para gerar valor, mais rapidamente que outras tecnologias digitais.
"Ao tirar proveito de nuvens inteligentes, o uso mais intenso de analytics e da Internet das Coisas andam de mãos dadas com o que estamos vendo em nosso negócio hoje - o advento da Internet Industrial, viabilizando o digital em todo o cenário de petróleo e gás", avalia Craig Hodges, gerente geral do Distrito da Costa do Golfo da Microsoft. "Você pode ver esta tendência ganhando força desde poços conectados e oleodutos inteligentes, até refinarias digitais altamente eficientes."
Enquanto 66% dos entrevistados identificaram o analytics como um dos recursos mais importantes para transformar a empresa, apenas 13% acreditam que as capacidades analíticas de sua corporação estejam maduras. Quase dois terços (65%) pretendem adotar mais capacidade analítica nos próximos três anos para ajudar a resolver esta necessidade.
A "Pesquisa de Tendências Digitais de Exploração de Petróleo e Gás", patrocinada pela Accenture e Microsoft, e conduzida pela PennEnergy Research em parceria com o Oil&Gas Journal, entrevistou profissionais do segmento de upstream em todo o mundo, incluindo engenheiros, geólogos e gestores de nível médio e executivo.

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Novos estados da matéria em baixas temperaturas rendem Nobel em física

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Britânicos David Thouless, F. Duncan Haldane e J. Michael Kosterlitz 

O mundo do muito pequeno, regido pela mecânica quântica, não cansa de trazer surpresas. E, ao desenvolver técnicas capazes de desvendar a existência de novos e estranhos estados da matéria em condições extremas, um trio de pesquisadores dos Estados Unidos levou o Prêmio Nobel de Física de 2016.
Metade da bolada de 8 milhões de coroas suecas foi para o britânico David J. Thouless, da Universidade Washington, em Seattle, e outra metade para seus compatriotas será dividida entre F. Duncan M. Haldane, da Universidade de Princeton, e J. Michael Kosterliz, da Universidade Brown, em Providence.
A palavra-chave para a premiação foi "topologia", conceito matemático que descreve propriedades que só podem mudar em uma escala de passos inteiros. Por exemplo: ao descrever a forma de uma rosquinha e um pretzel, podemos dizer que a primeira tem um buraco e o segundo tem três. E essa descrição é topológica –não há como imaginar uma forma que tenha dois buracos e meio.
"Com a moderna topologia como ferramenta, os laureados deste ano apresentaram resultados surpreendentes, que abriram novos campos de pesquisa e levaram à criação de novos e importantes conceitos em diversas áreas da física", escreveu a comissão do Nobel ao justificar a premiação.

Novas fases

As descobertas e avanços feitos pelos premiados avançaram nosso conhecimento além dos já famosos –por óbvios que são em nosso cotidiano– estados da matéria. Todo mundo está familiarizado com sólido, líquido e gasoso, e como os diferentes materiais podem ir de um estado a outro por meio das chamadas transição de fase.
Em casos de temperaturas mais altas, os elétrons associados aos núcleos atômicos se desprendem em meio ao gás, gerando um quarto estado da matéria, o plasma. O que acontece, contudo, se avançamos na direção oposta, indo aos extremos de baixas temperaturas? Coisas estranhas começam a acontecer, conforme os efeitos quânticos passam a predominar e se manifestar sobre os materiais.
Em alguns casos, aparece a supercondutividade –fenômeno em que a eletricidade consegue fluir por um material sem resistência. Noutros, a superfluidez, quando a viscosidade desaparece por completo de um material. E, claro, entre esses novos estados da matéria há transições de fase –que não eram compreendidas até Thouless, Kosterlitz e Haldane entrarem no jogo com a aplicação da topologia.
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Os dois primeiros começaram a trabalhar juntos no início da década de 1970, estudando teoricamente materiais bidimensionais –ou seja, extremamente finos, que tinham largura e comprimento, mas não profundidade. Foi essa investigação que levou a um entendimento completamente novo das transições de fase, considerado uma das mais importantes descobertas na chamada física da matéria condensada. Não por acaso, esse efeito é chamado de transição Kosterlitz-Thouless.
Indo mais adiante, nos anos 1980, David Thouless e Duncan Haldane, de forma independente, aprofundaram a aplicação da topologia no estudo da matéria condensada, descobrindo que a teoria que explicava os efeitos quânticos em materiais sob campos magnéticos intensos e baixas temperaturas estava incompleta.
Seu trabalho foi fundamental para os desenvolvimentos que se seguiriam no estudo das novas e estranhas fases da matéria que a essa altura já foram observadas e confirmaram suas predições teóricas, como a de um efeito físico importantíssimo conhecido como efeito Hall quântico. Nele, os elétrons fluem relativamente livres na camada entre os semicondutores e formam algo que pode ser descrito como um fluido quântico topológico.
A pesquisa pode soar etérea, mas está na fronteira da tecnologia. Físicos hoje discutem as perspectivas para isolantes, supercondutores e metais topológicos, e suas propriedades devem ser úteis para a criação de futuros dispositivos eletrônicos e até mesmo para computadores quânticos, que usam as propriedades fundamentais da matéria para processar informações.
Em 2015, o Prêmio Nobel da Física foi concedido ao japonês Takaaki Kajita e ao canadense Arthur McDonald por terem mostrado que o neutrino tem massa, ao contrário do que se acreditava por muitos anos.
Neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica –daí o seu nome. Se os neutrinos têm massa, isso significa que há uma significativa interação gravitacional entre eles e o resto do Universo. Foi o que Kajita e McDonald, trabalhando em diferentes detectores de partículas, mostraram no fim da década de 1990 e começo dos anos 2000.

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Nobel de Física premia propriedades topológicas da matéria

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© ILUSTRAÇÕES NIKLAS ELMEHED / FOTO MEDALHA DO NOBEL LOVISA ENGBLOM

Em um mundo onde a matéria assume formas (ou fases) estranhas, existem entidades com propriedades potencialmente úteis, como supercondutores, superfluidos ou filmes magnéticos muito finos. Descrever esse mundo do ponto de vista teórico foi possível por meio de um encontro entre física e matemática avançada, cuja importância ganha evidência graças ao Prêmio Nobel de Física deste ano. David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, três físicos britânicos radicados nos Estados Unidos, desvendaram as bases teóricas do que ficou conhecido como transições topológicas de fase e fases topológicas da matéria.
A topologia é o ramo da matemática que descreve as propriedades que não mudam quando uma forma é alterada de modo gradual. Para explicar o conceito durante o anúncio do prêmio na Academia Real Sueca de Ciências, o físico Thors Hans Hansson, da Universidade de Estocolmo e membro da comissão de física do Nobel, usou exemplos prosaicos que tirou de um saco pardo de padaria, supostamente seu almoço: um rolinho de canela, um bagel (pão em forma de rosca, com um furo no meio) e um pretzel sueco (pão trançado formando dois furos no meio). “São coisas muito diferentes – um é doce, outro salgado, têm formas distintas”, brincou. “Mas para um topólogo, só uma coisa importa na forma como essas coisas diferem: este não tem furo, o bagel tem um furo e o pretzel tem dois”, disse ele com os alimentos nas mãos. Hansson explicou que o número de furos é o que o topólogo chamaria de invariante topológica, que só pode variar em números inteiros. “Não é possível ter meio furo.”
O que a teoria mostrou foi que as regularidades inesperadas no comportamento da matéria estão por trás das transições de fase, como de sólido para líquido, e de materiais com propriedades extremas como isolantes topológicos ou supercondutores. Esse conhecimento serve como base para a busca por novas fases da matéria, que, se espera, venham a ter usos altamente tecnológicos, como o computador quântico.
David Thouless, da Universidade de Washington, participou dos dois aspectos premiados (transições de fase e fases topológicas da matéria) e ficará com metade do prêmio total, de 8 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1 milhão). Nos anos 1970, ele e Michael Kosterlitz, da Universidade Brown, derrubaram a teoria segundo a qual a supercondutividade não poderia se dar em camadas finas. Eles também mostraram o mecanismo pelo qual essa propriedade desaparece quando a temperatura sobe – uma transição de fase.
Na década seguinte, Thouless mostrou que a condutância tinha natureza topológica, e podia ser medida em passos íntegros – como os furos do almoço de Hanssen. Na mesma época, Duncan Haldane, da Universidade de Princeton, descobriu como conceitos topológicos podem ser usados para entender as propriedades de cadeias de pequenos ímãs encontrados em alguns materiais. Kosterlitz e Haldane dividirão a outra metade do prêmio.
“O uso de técnicas topológicas em física é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores colaborações entre a matemática e a física moderna”, afirma o físico brasileiro Daniel Doro Ferrante, pesquisador do Laboratório Cold Spring Harbor, nos Estados Unidos. Durante o doutorado na Universidade Brown, orientado por Gerald Guralnik (que, na opinião de Ferrante, deveria ter ganhado o Nobel de 2012 pela descoberta do bóson de Higgs), o brasileiro conviveu com Kosterlitz, discutindo os pontos de conexão entre os respectivos trabalhos. Por um período, trabalhou na mesma sala com seu orientador e o vencedor do Nobel. “Trabalhávamos com topologia aplicada à física em situações um tanto diferentes, mas com o mesmo propósito final: o de descobrir e classificar todas as soluções possíveis duma equação quântica de movimento”, conta.
Em entrevista coletiva concedida por telefone à Real Academia Sueca, Haldane disse que nunca pensou que seus achados teóricos encontrariam aplicação prática. “Como a maior parte das descobertas, a pessoa tropeça nelas e não percebe as implicações até que alguém aprofunde o trabalho”, contou. O físico Adalberto Fazzio, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), trabalha com isolantes topológicos (verPesquisa FAPESP nº 192) e afirma que o entusiasmo maior com as descobertas reconhecidas pelo Nobel veio em anos recentes, depois de descobertas que aproximaram a teoria de possíveis aplicações. “Hoje a busca por materiais e a fabricação de novos materiais com as propriedades apresentadas pelos topológicos é muito grande, com o objetivo de obter aplicações tecnológicas em eletrônica, spintrônica etc.”, afirma.
Pesquisa FAPESP | Edição Online 4 de outubro de 2016 - - MARIA GUIMARÃES

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Geologia, história e economia: de Eschwege aos dias de hoje

O geólogo Wilhelm Ludwig von Eschwege, nascido na Alemanha, teve reconhecida atuação no Brasil. Chegou a ser considerado o maior pesquisador da região de Minas Gerais e publicou sua principal obra em 1833: Pluto Brasiliensis, escrito em alemão. O livro tratava da estrutura geológica e da tecnologia mineral brasileira. Contratado por D. João VI, em 1810, para realizar pesquisas, Eschwege fez levantamentos importantes sobre o potencial mineral brasileiro, métodos exploratórios, entre outras missões. Orville Derby, geólogo estadunidense que trabalhou no Brasil no mesmo século, considerava Eschwege o pai da geologia do país.
Foi para debater a importante história de Eschwege e as riquezas minerais brasileiras que a Divisão Técnica de Recursos Minerais (DRM) do Clube de Engenharia organizou o evento “O conhecimento das riquezas minerais do Brasil de Eschwege aos dias atuais”. No encontro estiveram reunidos especialistas da área, como o engenheiro de minas e grande parceiro do Clube, Darcy José Germani, e o Chefe da Divisão do Desenvolvimento da Mineração do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Marcos Antônio Soares Monteiro.
O representante do DNPM falou sobre a produção de ouro no Brasil, que chegou a 58 toneladas, em 2010. “O Brasil detém reservas da ordem de 1.590 toneladas, o que soma 3,3% das reservas mundiais. Entre as décadas de 1970 e 1990 a atividade foi fortalecida pelo garimpo, fazendo com que o Brasil alcançasse 112 toneladas de ouro em 1988”, explicou.
A extração do ouro em solo brasileiro entre 1600 e 1820 também foi abordada. A fiscalização da exploração, mesmo com a exigência do chamado “quinto”, imposto exigido pela Corte Portuguesa, não foi suficiente para impedir a constante circulação de ouro ilegal. Eschwege, ao longo de suas pesquisas, estimou e calculou a produção de ouro de Minas Gerais, incluindo o impacto social da exploração do metal.
clubengenharia evento eschwege benedicto
O chefe da DRM, Benedicto Humberto Rodrigues (à direita na foto), destacou algumas das contribuições de Eschwege, inclusive, para o pensamento histórico. Benedicto lembrou que o período de exploração aurífera no Brasil não veio acompanhado de pesquisas científicas, já que os portugueses acreditavam que as reservas jamais se esgotariam.
“As 951 toneladas de ouro (totalizando 161 milhões de cruzados) escoaram para Portugal, pois o Brasil não negociava com outras nações, sendo obrigado a adquirir os artigos de consumo na Metrópole portuguesa. Além disso, era proibido de desenvolver fabricação de tecidos e outros produtos”, destacou Benedicto.
Na mesa de abertura também estavam o representante do Museu Nacional, Antonio Carlos; o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Francisco José Correa Martins; o Diretor Técnico do Clube de Engenharia, Abilio Borges; e o engenheiro de minas, representando a Sociedade de ex-alunos da Escola de Minas de Ouro Preto (SEMOP), Thomas Aquino Arantes.
A mineração sustentável também foi tema do debate. Há, hoje, o objetivo de formular e articular propostas de políticas, planos e programas para o desenvolvimento sustentável da mineração. Segundo o geólogo do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) José Ferreira Leal, as variáveis socioambientais nas atividades de mineração estão sendo analisadas pelo governo brasileiro para fazer frente às preocupações ambientais.
“Ordenar as atividades minerais em unidades de conservação ambiental e em outras áreas protegidas, além de estimular e induzir linhas de fomento para a capacitação, formação e desenvolvimento tecnológico sustentável em toda a cadeia produtiva mineral são ações fundamentais”, esclareceu Leal. Uma das exigências feitas pela legislação atual é a apresentação de um relatório de impacto ambiental e um plano de recuperação da área degradada pela mineração, políticas que evitam problemas que vão desde alterações na paisagem até a contaminação da água por metais.
Leal também falou sobre um assunto em voga no momento: as terras raras. Embora o consumo brasileiro de terras raras seja muito baixo se comparado a outros países, a importância das pesquisas na área é inegável. O Brasil possui uma vasta oferta de elementos, mas não tem isso mapeado com precisão. Mesmo com o baixo investimento até agora, o Brasil é um dos maiores produtores de nióbio do mundo.
A diretora de Mineração e Meio Ambiente do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ) geóloga Debora Toci direcionou sua fala para o mapa mineral do Rio de Janeiro. Destacando as rochas ornamentais, além da utilização de areias e argilas presentes em solo fluminense, ela falou sobre o petróleo e as riquezas da bacia de Campos.

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Recursos não convencionais de petróleo e gás natural

No mês de agosto de 2016 foi publicado o relatório “Aproveitamento de hidrocarbonetos não convencionais no Brasil”, resultado de um trabalho interministerial realizado no âmbito do Comitê Temático de Meio Ambiente (CTMA) do PROMINP (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), denominado Projeto MA-09 do CTMA/PROMINP.
O estudo envolveu técnicos do Ministério de Minas e Energia – MME, Ministério do Meio Ambiente – MMA, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, Empresa de Pesquisa Energética – EPE e Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – IBP, e foi motivado pela necessidade de se estabelecer uma posição unificada de governo e um quadro sólido de referência, capaz de viabilizar a atividade de exploração e produção de recursos petrolíferos não convencionais no Brasil.
O relatório foi realizado a partir da compilação de uma base consistente de informações na literatura internacional, incluindo estudos científicos publicados, relatos de impactos documentados, medidas mitigadoras sugeridas e arranjos regulatórios adotados nas experiências internacionais. O estudo busca preencher as lacunas de conhecimento existentes e ampliar o debate qualificado, objetivando avaliar a viabilidade de produção segura de recursos não convencionais, e dos possíveis benefícios sociais e econômicos dela decorrentes. O foco principal é garantir que o aproveitamento de hidrocarbonetos não convencionais no Brasil – quando e se ocorrer – se realize com a necessária transparência, com a garantia da segurança operacional, da proteção à saúde humana e da preservação do meio ambiente.
Espera-se, ainda, que o relatório passe por discussão ampla com os setores interessados e representantes da sociedade civil, comunidade acadêmica e Ministério Público. Busca-se, assim, obter um marco conceitual abrangente, que configure a necessária segurança jurídica a próximas ofertas de áreas promissoras para recursos petrolíferos não convencionais, assim como trazer à sociedade a garantia da adoção de medidas mitigadoras e regulatórias capazes de garantir a devida segurança operacional e ambiental.
O estudo pode ser encontrado na página da ANP na internet, no link Meio Ambiente:  ou aqui 
Boletim Petróleo e P&D - 37ª edição

Fonte: http://geofisicabrasil.com/

Plano da Petrobras para parcerias sai neste ano, diz fonte

Logo da Petrobras invertido na companhia em São Paulo
O plano da Petrobras sobre parcerias no setor de refino deve ser concluído até o fim do ano, e a previsão é que a empresa possa ter diferentes parceiros para viabilizar investimentos necessários para concluir o parque de processamento de petróleo da estatal e também para refinarias já existentes, afirmou uma fonte da empresa.
A ideia das parcerias foi divulgada pela cúpula da empresa no lançamento do programa de negócios 2017-2021, que prevê também desinvestimentos de 34,6 bilhões de dólares entre 2015 e 2018.
Mas não havia um prazo para a conclusão de um plano para o refino.
O escopo inicial desse projeto na área de refino prevê que as parcerias poderão incluir as refinarias já existentes, valer para a expansão do parque e também para a finalização de projetos como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujas obras foram virtualmente paralisadas pelo impacto do escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato.
O estudo prevê ainda abrir essa possibilidade de parcerias com mais de uma empresa nacional e ou investidores estratégicos, permitindo ainda que refinarias tenham sócios distintos.
"O Comperj é o ativo mais difícil e não é fácil de viabilizar. No pacote de parcerias em refino, o Comperj vai estar contemplado", disse a fonte.
"O pacote vai valer para algumas refinarias, não obrigatoriamente todas. O projeto vai estar na rua até dezembro e a ideia é abrir para parcerias e sócios nas refinarias. Serão parcerias com mais de uma empresa", acrescentou.
Na apresentação do plano de investimentos, os executivos da Petrobras revelaram que gostariam de replicar na área de refino parcerias bem sucedidas que a petroleira tem com empresas na área de exploração e produção de petróleo.
Preços dos combustíveis
A Petrobras tem monitorado semanalmente as cotações do petróleo e derivados no mercado mundial para nortear sua política de preços internos, mas não há perspectiva de alteração nos preços domésticos no curto prazo, afirmou a fonte nesta sexta-feira.
Isso já considerando a recente forte alta do barril nos últimos dias e a proximidade do inverno no Hemisfério Norte, que normalmente sustenta as cotações no exterior.
"O petróleo está subindo e operando perto de 52 dólares por barril. Não dá para falar em redução (de preço) agora", disse a fonte, refutando especulações de que, pelo fato de estar vendendo derivados com prêmio ante o mercado internacional, poderia haver espaço para reduzir as cotações dos combustíveis.
Nesta semana, a Petrobras vendeu o diesel com um prêmio de cerca de 24 por cento ante o mercado internacional, e a gasolina com um ganho de quase 16 por cento, segundo cálculo da Tendências Consultoria.
"Ainda tem um prêmio no preço, mas é justo pelo que aconteceu no passado", disse, referindo-se a perdas bilionárias que a estatal sofreu há alguns anos, quando não repassava cotações mais altas do petróleo para os combustíveis, por orientação do governo, para evitar alta inflacionária.
A venda com prêmio de combustíveis abre espaço para que outros importadores ganhem participação de mercado da Petrobras, mas a fonte vê isso como algo momentâneo.
"Com o petróleo mais alto, pode ser que essa importação de terceiros caia...", disse.
Segundo a fonte, houve uma "pequena" perda de participação da empresa com a importação de derivados, mas a Petrobras vem compensando isso com "uma logística mais eficiente e na rentabilidade da operação".
Na avaliação da Tendências, o ganho com a venda de combustíveis com prêmio mais do que compensa a perda de participação de mercado.

Fonte: http://exame.abril.com.br/